Se eu fosse um menino Inglês

Muitos exemplos de traduções com 'eu sou u menino' – Dicionário inglês-português e busca em milhões de traduções. ... sua no decorrer de sua infância-eu sou um menino, eu sou uma menina - no contato com os [...] pais (homem e mulher) e com seu círculo de amizades. ... aquele pássaro que fica parado no ar como se fosse um ... Exemplos de uso para 'menino' em inglês Essas frases provêm de fontes externas e podem ser imprecisas. bab.la não é responsável por esse conteúdo. Portuguese Aqui, no Parlamento Europeu, devemos assumir o papel do menino deste conto. Se eu fosse um livro Se eu fosse um livro gostava de estar na livraria e que um menino mecomprasse. O meu título era “ O livro do João”!Um dia o Daniel comprou-me. Quando chegámos a sua casa, fomos andar debicicleta e, de repente, esbarrámos numa parede. Traduções em contexto de 'se eu fosse' en português-inglês da Reverso Context : se eu fosse você, se eu fosse a ti, se eu fosse a si, se eu fosse um homem Se eu fosse um menino. Ou então: If I were richer. Se eu fosse mais rica. If I were taller. Se eu fosse mais alta. Todas essas frases indicam algo irreal. Agora, se estivermos falando de algo real, que realmente aconteceu, ai usaremos o If I was. Por exemplo: If I was rude, I would like to apologize. Se eu fui rude, eu gostaria de me desculpar. Tumblr is a place to express yourself, discover yourself, and bond over the stuff you love. It's where your interests connect you with your people.

parece fanfic mas eu juro que aconteceu

2020.08.30 02:32 querocafune parece fanfic mas eu juro que aconteceu

vou contar o filme que minha vida virou...
Pro contexto: eu acabei de voltar de um intercâmbio de 8meses em Wellington, na Nova Zelândia
Então, conheci esse menino na minha escola, numa aula feita pra que pessoas do mesmo ano escolar se relacionem, era uma aula de meia hora que acontecia duas vezes por semana, então não tínhamos muito contato, mas sempre sentava com ele e os amigos dele nesse tempo. Como eu era estudante internacional, não tinha muitas amizades além dos brasileiros que estavam na mesma situação que eu, então eu achava um máximo ter esse grupinho pra conversar. Enfim, entramos em lockdown em março, e as aulas online começaram, e essa aula parou de acontecer. Eu tentava fazer amizade com pessoas de outras aulas por mensagem, mas ninguém continuava a conversa... até que depois de algumas semanas eu e esse menino, começamos a conversar pelo instagram, conversávamos a cada 2 dias, mais ou menos, sobre coisas bem aleatórias, mas era alguém com quem conversar. E eu sempre fui muito devagar pra relacionamentos românticos né, mas resolvi investir nele e ver no que dava. Eu tentava flertar, mas além da falta de experiência tinha o fator idioma, flertar em inglês é uma coisa assim... complicada kkkk
Passamos 2 meses de quarentena e as coisas começaram a reabrir, obrigado Nova Zelândia!! E acabei chamando ele pra sairmos quando pudéssemos. Fomos tomar um café, e como sou do Brasil tive que honrar o estereótipo e chegar 1hora depois do combinado, me culpei muito por isso, mas no final das contas passamos um tempo bem legal juntos, mas não rolou nada. Mais ou menos uma semana depois sugeri que saíssemos de novo, e acabamos indo pro “cable car”, basicamente um carrinho que sobe um morro, mas que é um dos lugares turísticos da cidade, junto com o jardim botânico que fica no topo desse morro. Eu, na inocência, me arrumei pra encontrar ele, quando chego lá ele tinha levado uma garrafinha de água, preparado pra dar uma caminhada kkkk andamos igual notícia ruim, e eu sempre fingindo costume e não mostrando que eu estava a beira do desmaio... Obviamente, não conseguimos conversar muito, mas cada experiência é uma experiência. No final, quando já não tinha mais subidas ou descidas de morro tentei jogar um charme, um elogio, mas ele não captou minhas mensagens, um tempo depois ele disse que tinha dever de casa e foi embora na vespa dele kkkkk
Continuei persistente, porque apesar de tudo eu gostava das nossas conversas e de passar tempo com ele, e mesmo que não desse certo, seria uma amizade de um outro país, eu não tinha o que perder.
Foi aí que fomos nesse museu, “te papa”, que tem exposições interativas e é super interessante, mas eu já tinha ido lá no mínimo umas 3 vezes, então eu estava com bastante foco no objetivo kkkkk eu nunca encontrava a hora certa pra dar o primeiro passo, e ficou nisso durante o dia inteiro. Até que quando estávamos indo embora, dessa vez ele não estava dirigindo a motinha dele então pegamos o mesmo ônibus pra casa, o ponto dele era antes do meu e quando ele desceu eu não aguentei, e senti que deveria fazer alguma coisa. É aí que a produção entra em cena, eu levantei e pedi pro motorista parar o ônibus, falei que eu tinha que fazer uma coisa rapidinha e eu já voltava, aí eu desci do ônibus e corri atrás dele, ele achou que estava sendo assaltado, mas eu fui e falei pra ele que eu senti que perdi muitas oportunidades de fazer isso durante o dia mas que eu tinha que fazer isso, aí perguntei se eu podia beijar ele, ele disse que sim!!! Voltei pro ônibus e a cara do motorista foi muito boa, ele viu tudo pelo retrovisor kkkkk DETALHE, tava chovendo.
Depois conversamos por mensagem, e eu falei que não sei de onde eu tinha arranjado coragem pra fazer aquilo, mas que eu estava muito fez de ter feito.
Na segunda-feira, combinamos de encontrar depois da aula, acabamos indo pra casa dele e conheci a mãe dele kkkk fiquei meio sem reação, não sabia o que fazer, foi super bizarro, mas de novo, cada experiência é uma experiência né? A mãe dele saiu e ele tentou me beijar, mas eu travei tanto que não consegui, ele coitado ficou super confuso, e eu comecei a tagarelar sobre timidez, insegurança, umas coisas nada a ver, tentando me justificar... Ele só ficou mais confuso, resolvemos então dar uma volta e fomos comprar pão, fomos num parquinho e comemos lá... Conversarmos e tava tudo muito bom, mesmo eu tendo tornado tudo muito constrangedor. Cada um foi pra casa e ficou aquele clima estranho, mesmo ambos querendo a mesma coisa.
Mais tarde mandei mensagem pra ele falando sobre minha mania de auto-sabotagem, e que tudo tava sendo tão bom que alguma coisa em mim me dizia que tava errado, então eu estraguei tudo. Ele não entendeu direito, então só falei pra que a gente ignorasse tudo o que eu falei e continuar do jeito que tava antes kkkkk
Dia vai, dia vem e esse amigo dele deu uma festa, um dia antes de uma viagem que eu iria fazer, mas eu fui mesmo assim. Fui com uma galera da minha outra aula, e já tava me sentindo mais confortável, até que eu chego na festa... Uma coisa bem maluca kkkk tinha uma fogueira com sofás em volta, uma garagem com colchões e bebidas, uma caixa de som, e gente usando vape. Até aí tudo bem, encontrei ele e as coisas tavam indo na paz, tirando a parte em que tive que ensinar ele como eu beijava de língua, que foi um pouco constrangedor mas que no final deu tudo certo, a gente se encaixou e ficamos agarradinhos perto da fogueira, porque tava muito frio! Até que um doido resolve tirar o próprio sapato, colocar vodca pura dentro e beber... pois é, como reagir? Ok, algumas horas se passam e esse menino do sapato, surpreendentemente, começa a passar muito mal, então deitam ele em um dos colchões e eu falando pra darem água pra ele... Não sei o que rolou, voltei pra perto da fogueira, não ia dar uma de baba pra alguém que eu nem conheço. Até que um carro entra onde a gente tava, eram os pais do menino do sapato, tiveram que buscar ele porque ele só tava piorando...
Por causa da confusão dos pais, uma das vizinhas chegou lá pra ver o que tava acontecendo, então o menino que eu tava beijando, já um pouco alterado levanta e fala que a gente tem que sair dali pra que não me deportassem kkkk eu fui com ele, entramos num lugar muito escuro e eu comecei a ficar com medo, porque por mais que eu goste dele eu não queria morrer. Fomos parar numa estação de trem e ficamos rondando por lá por um tempo, sem saber o que tava acontecendo na festa, mais tarde a gente voltou pra lá e tinham guardado tudo, os sofás, a música, apagado a fogueira, e estavam falando que tinha baixado polícia lá... Não vi nada. Tava todo mundo indo embora, e achei melhor eu também ir, mas minha carona tinha vazado, fiquei sem saber o que fazer, então tive que ligar pra minha hostmom pra ela vir me buscar, achei que ia levar esporro, mas ela achou até bom eu ter feito isso kkkk
No dia seguinte eu fui pra minha viagem, e foi muito boa, conheci gente nova e fiz coisas que nem acreditava que faria, inclusive pular de avião e de bungee jump! - mas agora, a história é sobre meu romance clichê
Quando eu voltei marcamos de encontrar várias vezes, e tudo tava sendo lindo e cor de rosa... conheci a família dele, até a vó kkk e ele a minha hostfamily. Eu tava nas nuvens.
Porém, com toda essa complicação do covid, minha data de volta tava sempre mudando. Até que confirmaram meu voo pro dia 29 de agosto, ok, me planejei organizei o que eu iria fazer. Só que uma semana antes me ligam avisando que mudaram a data mais uma vez, só que dessa vez pra 4 dias mais cedo! Eu entrei em pânico, por mais que 4 dias parece pouco, mas é muita coisa... Tive que remanejar tudo, remarcar as despedidas e tudo mais. eu tava muito emocional, chorava por tudo.
Até que um dia nessa última semana, eu tinha acabado de jantar e estava brincando com as crianças da minha casa, ele me liga e pede pra que eu fosse lá fora, fiquei super confusa, mas eu fui. DETALHE, tava chovendo também... Eu perguntei o que ele tava fazendo ali e ele disse que tava fazendo uma corrida noturna e que eu não poderia ir embora sem que ele falasse isso, foi aí que ele disse que me ama... Eu fiquei em choque, não tava caindo a ficha de que isso tava acontecendo, eu perguntei se ele queria entrar, tomar uma xícara de chá, sei lá... Ele me disse pra pensar sobre isso e que tinha que ir embora, então ele saiu correndo. Eu voltei pra dentro e não conseguir pegar no sono. depois, mandei mensagem pra ele falando que eu não esperava por isso e perguntei se ele tinha certeza do que ele tinha falado, conversamos bastante mas eu ainda não conseguia engolir, mesmo com ele sendo incrivelmente perfeito em tudo que ele falou pra mim. Na manhã seguinte tive minha sessão de terapia semanal, ouvi umas poucas e boas de como eu negava o amor dos outros, de como eu achava que por eu não me amar ninguém seria capaz de fazer isso... E cada palavra valeu a pena, quando acabou disse pra ele que queria ver ele, e de noite fomos pra cidade, e com toda certeza foi uma das melhores escolhas da minha vida. Jantamos pizza e caminhamos por todo lugar, e quando tava chegando a hora dele ir embora não deu, e comecei a chorar, me abri pra ele e disse que também amava ele, e ficou assim, os dois boiolas chorando num ponto de ônibus, olhando um pra cara do outro. Mas por mais triste que eu tava, me senti muito bem de estar vivendo aquilo. Levantamos e continuamos a andar pela cidade, dando sempre uns intervalos pruns beijinhos...
Então ele teve que ir embora, e quando ele deu partida na motinha dele eu gritei pra todo mundo ouvir que eu amo ele! Comecei a chorar de novo, muito muito mesmo, não só por ele, mas por tudo que eu vivenciei naquele país, vida, morte, conexão, solidão, despedida, saudade, amizade, amor, tudo que faz a vida valer a pena e como muitas vezes já pensei que nada disso valia a pena. Esses 8 meses me ensinaram o que é estar vivo, e sou muito grata por ter aprendido isso!! nessa minha profunda reflexão, meu ônibus chegou, e era um ônibus de dois andares, eu que não vou boba nem nada fui pra frente da parte de cima, chorar ainda mais e fazer esse filme ainda mais clichê...
Até que enfim, chega meu dia de voltar pro Brasil, ele foi no aeroporto se despedir, e eu não passei um segundo sequer sem chorar, desde Wellington até BH, quase 3 dias de viagem e de muitas lágrimas...
A gente tem conversado todos os dias desde que cheguei, e sinto muita falta dele, mas ainda fico com receio de expressar tudo isso e ficar ainda mais triste com a situação, não sei como começar a conversa sobre o que vai acontecer entre a gente, se estamos em um relacionamento a distância ou continuarmos nos amando só que em forma de amizade, se ele toparia um relacionamento aberto, ou sobre o que ele planeja pra nós... Tenho medo de conversar com ele sobre tudo isso e estragar o que a gente tá tendo agora, porque por mais que exista a distância ainda sei que ele está lá pra mim do mesmo jeito que estou aqui pra ele...
E é isso, só queria abrir minha história a debate mesmo. Valeu aí...
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2020.07.29 03:44 spacelogin Um relato de uma vida ferrada pela pornografia

Olá. Desde já obrigado por ler. Descobri o nofap em inglês hoje aqui no Reddit e vim fazer um desabafo, pois vi varias histórias lá iguais a minha. Estou em choque e chorando. A pornografia realmente fudeu comigo.
Eu consumo pornô desde os 10 anos de idade. Tenho 23 hoje. Comecei por Dvds e Revistas, dadas por parentes, tudo creio eu "sem intenção"... e eu comecei a ser exposto. Lembro de ver revista playboy, revista de gravidez que tinha foto de mulher nua pois era revista educativa e tals... Depois fui pros vídeos mesmo.
Quando eu era criança eu infelizmente passei por um abuso, de algumas vezes, com a mesma pessoa. Foi traumatizante e guardei no fundo do poço essa história. E agora com essa crise to revivendo isso.
Nesse tempo todo vi de tudo na pornografia! Comecei com pornô hetero, fui pra pornô de sexo em grupo, transexual, gay, masoquismo, birracial, meu deus... Tanta, tanta coisa! Eu comecei a ficar confuso com minha sexualidade depois. Achei que fosse bi, gay... Eu tinha um trauma anterior por causa do abuso que já me bloqueava, tinha medo de toques e proximidade, e aí vendo tudo só pela tela, nunca tive noção real de sexo! E era fácil né se satisfazer... Abria o site, via e pronto. Fiquei nessa por anos.
Fiquei tão confuso na sexualidade que achava que era gay e comecei a fantasiar com homem... Isso ficou na minha mente por mt tempo, até que conheci pessoas do meio na faculdade e fiz amizade e vi de perto aquilo. Mas nunca fui tentado a fazer nada de relacionamento homo, pq na vida "real" não fluía sabe? Mas eu ficava com aquele sentimento estranho. E eu mentia que não era virgem e tals, mas o pessoal percebia. E eu não sacava que esse atraso tinha algo de errado...
Aí decidir experimentar (nesse meio tempo tive umas ficantes porém não fiz sexo com nenhuma, nunca cheguei nos finalmentes). Aí conheci um carinha que era homossexual e conversei com ele pra desabafar e tals. Precisava falar com alguém. Ficamos amigos, começaram umas investidas mas depois não deu certo, pq era como se eu tivesse me forçando a algo, pensando que eu era fracassado no mundo hetero por não ser hetero. Era como se ele tivesse uma sede de sexo que eu não tinha. Aí pensei: não é isso que quero, tem algo errado. Aí entrei em crise e tô assim até hoje. Tô chocado demais. Ou seja: com os meninos e meninas eu não consegui prosseguir, mas com mulher eu sinto uma atração diferente sabe. Mas pra sexo não consegui tb.
Depois dessa experiência, de março pra cá estou com Síndrome do pânico, depressão, coração bate forte... Fico olhando pra trás e vendo tudo que passei. Porra nunca consegui ter uma vida "real" sempre foi tudo pela tela sabe? Isso é triste demais. E vi relatos no nofap muito iguais! Jamais pensava que a pornografia me faria tão mal! Pensava que eu tinha outro problema... Mas sempre foi isso (uma das coisas né). Ver por longos e longos anos variadas pessoas, peitos, paus, corpos, fetiches fode com sua mente num nível... Ai me pego na infância tendo tesão primeiro por mulheres e depois indo a fundo... Anos e anos assim. Tô realmente muito ferrado.
E o foda é que quem tá de fora não entende: ou acha que vc é virgem pq é fraco, ou é gay ou pq tem problema sexual ou acha que é enrustido ou acha que é assexual... São várias teorias sabe. Horrível sentir isso. Tô muito muito mal.
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2020.06.23 16:00 drimougui Meus White problems

Olá Luba, editores e turma, Luba por favor leia essa história com um sotaque não xenofóbico do interior de Goiás. Em 2016/2017 ganhei uma bolsa de estudos em Portugal e, como típica intercambista BR aproveitei pra fazer um mochilao de uns 15 com moedinhas contatadas, como disse, era bolsista e não rica.
Em Roma, acabei conhecendo uns amigos de uma amiga, também brasileiros, me diverti muito com eles e caminhamos por toda a cidade no meu primeiro dia lá, no segundo, fomos ver o papa. Não sou católica, mas fui pelo rolê. Depois da missa, nos separamos, eu peguei um metrô pelo Coliseu e Fórum romano. Comprei o ingresso para as duas coisas e comecei a visita pelo coliseu.
Eu tava lá andando de boas parei pra tirar uma foto.... CADÊ meu celular? Imagina o desespero dos minutos seguintes. Tentei falar com um guarda, mas ninguém falava português ou inglês. Tentei falar com uma guia italiano que falava português, mas ela só virou pra mim e disse que eu deveria ser mais cuidadosa. No meio do meu desespero, eu não conseguia falar com ninguém e ainda fiquei perdida lá dentro, aquele lugar era redondo e perfeitamente simétrico e não importava em qual direção eu fosse eu não conseguia sair dali. E aí passou uma família norte americana que tentou me ajudar, me tranquilizaram e saíram em busca da administração. Nesse meio tempo, alguém passou e me disse, por gestos, que tinha encontrado meu celular e deixado em algum lugar. Nisso o casal norte americano voltou e me levou pra ligar pra polícia, como interprete, uma pessoa que falava um espanhol precário se apresentou. Eu cheguei a falar com a polícia antes de conseguir explicar que alguém havia encontrado meu telefone e deixado em algum lugar. Quando expliquei isso, finalmente me levaram pra um lugar onde alugavam guias eletrônicos e meu celular estava lá. Parece um belo final feliz né?
Bem, tudo esse drama era por um telefone que estava sem chip europeu, sem touch e que só servia para fotos. Sim, eu gosto de fotos. Minha comunicação com o mundo nesses dias se dava com um tablet que eu tinha na época, apenas em locais com WIFI grátis. Em fim, depois desse apuro o fórum já estava fechado e eu não pude aproveitar meu ingresso, mas continuei passeando pela cidade até que choveu e tive que voltar pro hostel molhada em pelo inverno europeu. No hostel, eu doei meu ingresso pro fórum romano e descobri que meu passaporte tinha molhado e borrado a foto.
Aquele era meu último dia na cidade e eu já tinha desocupado minha cama pela manhã e não poderia nem tomar um banho. Mas o cara do hostel foi muito legal, me fez um chá e me deixou ficar por lá, na sala, até o momento em que meu ônibus por aeroporto chegasse. Meu plano anterior era “dormir” na estação de trem.
Quando finalmente cheguei no aeroporto, fui toda feliz pegar meu avião pra Paris, próximo destino. Passei minha passagem no leitor e….vermelho, tudo bem, tentei mias uma vez e… vermelho novamente. Fui tirar a dúvida com o rapaz da ryanair. Perguntei pra ele o que tinha de errado e porquê minha passagem não estava passando. Ele pegou ela, olhou e olhou e de repente encontrou o problema:
_ Its to 26, today its 27.
Exatamente, e deveria ter ido embora da cidade no dia anterior. Para piorar, o custo da passagem emergencial era de 90 euros (a passagem mais cara que eu tinha comprado até então foi 25 euros e já era o dobro da maioria).
Sentei num canto e fui pensar no que fazer. Depois de Paris meu próximo destino era Milão, então eu resolvi que iria direto para Milão de ónibus. Consegui conversar com aqueles amigos do começo da história e eles concordaram em guardar minha mochila onde estavam hospedados. Feito isso, olhei meu mapa (de papel) para a rodoviária e pensei: Posso chegar lá de a pé. E fui. Obviamente eu me perdi. Fui parar num bairro com nome da rodoviária, mas não na rodoviária. Um moço na rua me disse que eu iria ter de pegar o metrô, mas eu não precisava gastar 4 euros com um mero metrô.
Na universidade de Roma consegui internet e descobri o local exato da rodoviária. Salvei o trajeto e fui. O caminho até lá incluía um looongo caminho por uma highway com uma calçada estreita. Caminhei vários quilômetros com nada mais por perto além de carros em alta velocidade até chegar até tipo uns 50 metros da rodoviária. Mas entre eu e ela tinha um viaduto. Um viaduto sem calçada, sinal ou faixa de pedestre. Não vi como passar por ali sem morrer. Então eu voltei por todo o caminho até a estação e peguei um metrô até a rodoviária. Comprei passagem para Milão saindo as 23h.
Aproveitei que tinha comprado um passe diário do metrô e fiquei indo em todos os pontos turístico nas redondezas das estações. Lá pelo final da tarde, percebi que meu pé estava apodrecendo dentro da bota de inverno úmida (lembra da chuva e do fato que eu tinha ficado a noite toda na sala do hostel?).
O importante é que em algum momento eu comi uma bela pizza e a despeito de tudo eu resolvi que conseguiria passar pelo bairro medieval de roma e ir para o vaticano de à pé. Obvio que eu não consegui. Estava muito cansada e resolvi pegar um ônibus. Esperei o que pareceram quarenta minutos sozinha por ele, já no escuro, tudo para ver as luzes na basílica. Peguei o ônibus, ele atravessou a ponte , virou a esquina e chegamos. Sim, eu poderia ter chegado de à pé tranquilamente.
Tirei minhas fotos do vaticano, tomei um susto acha no que tinha perdido as fotos, chorei um pouco. Peguei o Metrô e voltei para o hostel dos meus amigos para recuperar minha mochila. Na estação de trem mandei mensagem para eles e fui. Cheguei e sentei na porta, ninguém. Esperei e esperei. Não podia tocar a campainha pq tecnicamente não era para as minhas malas estarem lá. Nisso, um homem começa andar calçada em frente a casa de um lado para outro. Eu abracei minhas pernas e comecei a chorar, cansada e com medo. Depois de um tempo o homem vem até mim e diz:
_Quer que eu chame uma ambulância? (Já nem me lembro em qual idioma)
Eu recusei e agradeci e fiquei mais tranquila. Os meninos no hostel finalmente viram minha mensagem vieram abrir a porta. Por sorte eles conseguiram até mesmo me fazer tomar banho e secar um pouco minhas botas com um secador de cabelo.
Voltei para rodoviária e peguem meu ônibus noturno. Eu entrei logo e levei minhas mala junto. Estava de chinelos pois não conseguia calçar as botas de tão machucados que estavam meus pés. Contrariando minhas expectativas o ônibus estava cheio. Não tinha um banco vago. E também não tinha um único italiano. Todos mundo ali parecia estar vindo de outro país e tentando a sorte. Por minha burrice em não guardar a mala tive que passar as nove horas seguintes com uma mochila pesada no colo. Mas sinto pena mesmo de quem estava por perto das minhas botas, que como podes imaginar fediam como a morte.
Cheguei em Milão pela manhã, faziam 2 graus e eu ainda de chinelo. Um rapaz que viajou no mesmo ônibus que eu até mesmo se ofereceu para me comprar um tênis, mas expliquei para e ele que não poderia calçar um. No fim deu tudo certo uma vez no hostel, dormi pelas próximas 24h.
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2020.06.22 03:46 rodrigo_rizzo Fui babaca por expor meu grupo do trabalho de5 inglês após eles se recusarem a fazer o trabalho?

Oi Luba, sou fã do canal a um tempo mas tava com preguiça de baixar o reddit, até que lembrei de uma história um tanto curiosa que aconteceu cmg quando estava no sexto ano.
Eu estava no sexto ano e na minha escola tínhamos um trabalho que valia 3 pontos para todas as matérias e era obrigatoriamente em grupo, esse trabalho ocorria 1 vez ao bimestre e era de uma respectiva matéria por bimestre
O meu trabalho do bismestre acabou sendo de inglês, e teríamos de cantar uma música em grupo, obviamente uma em inglês, depois disso teríamos de colocar legendas traduzindo a música no vídeo e editar o vídeo (essa parte é de informatica que tbm fazia parte de uma pequena parcela do trabalho)
Eu estava fazendo o trabalho com 3 meninas e um menino, n era muito próximo de ngm na época (tbm n sou próximo de ngm agr) ent eles eram todais estranhos, vamos para o desenvolver do trabalho.
Ao organizar o trabalho minhas opiniões e considerações eram constantemente ignoradas, porém eu não ligava contando que n perdesse minha nota perfeita no final do bimestre, porém ao gravar o vídeo meu grupo cometeu 4 erros 1- gravaram na vertical (msm eu falando que n podia por causa da legenda) 2- pularam METADE da música que teríamos de cantar 3- A MENINA QUE ESTAVA COLOCANDO A MÚSICA DEIXOU A GENTE CANTANDO OS CRÉDITOS DO VIDEO DO YOUTUBE (desculpa a exaltação nessa parte, fico com raiva só de lembrar) 4-no meio de uma cena da música uma menina fala algo aleatório e estraga a cena toda
O problema em questão é que esses erros só foram descobertos 5 dias dps, quando uma amiga da minha mãe ia editar o vídeo para mim e me avisou sobre a existência deles, logo vendo a data de entrega do trabalho fico desesperado para refazer o mais rápido possível.
O trabalho era para ser entregue em uma segunda-feira da outra semana, o dia em que descobri os erros era uma terça feira, instantaneamente mandei para o grupo do trabalho para refazer e expliquei os motivos, falei de fazermos no domingo, porém era dia dos pais, falei pra fazer no sábado, falaram que n iriam querer estar longe um dia antes do dia dos pais, falei de fazer na sexta, usaram a desculpa do dia dos pais dnv, falei de fazer na quarta (dia seguinte) falaram que tava mt em cima, falei pra fazer quinta, mas uma menina não podia, eu estava desesperado pois eles não estavam aceitando nenhum dia e ainda teria de editar depois que tudo estivesse pronto, e isso tudo poderia ter sido evitado se eles tivessem me deixado ver o vídeo, coisa que o meu grupo nem se importo.
Após toda essa backstory ta aqui a babaquisse
As meninas do grupo começaram a falar pra resolver na edição, (como se fosse mágica) expliquei que n dava, e elas simplesmente desistiram de fazer o trabalho, eu era um aluno extremamente dedicado e gostaria de ver uma nota perfeita no final do bimestre, não ia gostar de perder 3 pontos em todas as matérias pois estavam com preguiça.
Depois de eu muito tentar, deixaram claro que não iriam fazer o trabalho, então eu cegado de raiva por perder pontos pela inaptidão e preguiça de meu grupo, printei as conversas e mandei no grupo da sala com uma legenda "olha como meu grupo é incompetente", após isso desliguei o celular e fui dormir.
Dia seguinte repensei no que fiz e pensei que foi exagero, resolvi apenas ignora isso e apenas voltar com o assunto caso o grupo quisesse, me desculparia por mandar a mensagem no grupo da sala porém não podia aceitar estar errado sobre o trabalho que elas não queriam fazer.
Chegando na sala, na h da aula de história (que tbm é a coordenadora) ela se atrasa um pouco, ngm sabe o pq, mas enquanto isso várias pessoas falam de mim pelas costas, pelo que percebi uma versão alternativa da história onde as meninas simplesmente disseram que o trabalho estava perfeito e eu queria apenas fazer dnv por erros bobos (erros bobos tipo pular metade da música né?) e ainda expus elas e as critiquei duramente. Não liguei mt pois sempre falaram de mim pelas costas aquele momento não seria diferente, apenas ignorei e foquei em meu livro, na época estava lendo Harry Potter e estava muito entretido.
Depois de alguns poucos minutos de leitura a coordenadora chega em minha sala e me chama para a sala dos professores (a mesma tem cabelo típico de Karen ent irei a chamar assim)
A Karen me disse que as meninas falaram pra ela que eu expus sua privacidade e que queria faze-las refazer um trabalho todo apenas por causa da legenda (ocultando os outros 3 erros)
Depois de uma longa bronca da Karen (a mesma conhecia meu pai e meus pais nunca foram de me dar razão ent n poderia responder nem me defender) onde ela brutalmente me acusava de coisas aleatórias sem nenhuma chance de defesa e sem ver meu lado da história a principal menina que conversou cmg (e a que eu mais odiava até o momento) começa a fazer drama e fala que chorou por causa da "ofensa" (incompetente)e se abalou muito com todo ódio por mim proferido.
Obviamente eu fiquei em shock com aquilo e gostaria muito de contra argumentar, mas a Karen me calou e continuou seu discurso sobre como é errado expor as pessoas e o resto do grupo não levou qualquer tipo de bronca por ter feito o trabalho de maneira porca, e tbm nenhuma bronca por não querer consertar, eu sai como culpado da história apenas por causa da vitimização de uma menina que não poderia chegar nem aos pés de uma fic No final acabei taxado como besta e chato pela classe, a Karen começou a implicar cmg por qualquer coisa e só não tirei uma nota ruim no trabalho pois as minhas ações fizeram com que o professor de inglês desse nota máxima para todos, por estar com medo do alvoroço causado Me arrependo? Nem um pouco, sai com minha nota boa
(Escrevi esse texto de cabeça quente depois de me lembrar da cena toda então já peço desculpas por possíveis erros na digitação)
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2020.06.18 15:40 luixzaokk Apenas uma historinha para Entitled Parents.

Não vou dar oi pra ninguém hoje não, to brabo.
Eu postei essa historinha em inglês no entitledparents e aproveitei que sou do braZil e vim compartilhar with you.
(sotaque baianor: on)
Eu tinha 11 anos qnd isso aconteceu. Eu morava em um condomínio e tinha uns 4 ou 5 amigos por lá.
Eu = qUeM sErÁ?¿?
A1, A2 e A3 = Meuzamigos.
Demônio = Criança chata
Velha = Avó entitulada da criança chata
Eu, o demônio e meus amigos estavamos jogando esconde-esconde. A gnt não tava roubando no jogo nem fazendo barulho. E do nada, no meio do jogo, o satanás começou a gritar com a gente sem motivo nenhum:
Demônio (falando pro A1): Você nem sabe se esconder, você é chato e só atrapalha! Eu te odeio!
Lúcifer só tinha 7 anos de idade e A1 tinha uns 9-10. Mesmo sendo mais velho, o A1 era bem sensível.
A1: Eu não fiz nada, vc n pode falar assim com os outros
Satã (agr falando pro A2): Você é só um g*rdo chato que toma muito espaço nos MEUS esconderijos!
Ele falava como se ele fosse o dono da porra toda.
A2 tinha a minha idade e não ligava pra ofensas tipo "g*rdo" ou coisas do tipo, ele só se conteve e ignorou, esperando o demônio parar com aquela gritaria pra a gente continuar brincando.
Belzebu (agr falando comigo): Você é irritante e eu odeio ouvir sua voz!
Eu sinceramente tava pasmo e não entendia como alguém poderia ser tão desrespeitoso com crianças mais velhas. Ele simplesmente foi um cuzão SEM MOTIVO NENHUM. Eu tava bem irritado, mas eu mantive minha boca fechada (temporariamente.)
Demônio (Agr A3): Você é alto demais! Você toma muito espaço e não é justo brincar com você!
O A3 tinha 14 anos. Nesse dia ele tava extremamente puto pq o iPhone dele tinha quebrado. Ele até tava contendo a raiva dele e tal, tava pegando até leve no esconde-esconde. Então, lá veio:
A3: CARALHO CALA A BOCA MULEKE DE MERDA, NGM FALOU PORRA NENHUMA PRA VC, CÊ TÁ SENDO UM CUZÃO SEM MOTIVO ENTÃO VAI TOMAR NO TEU CU
Ele disse exatamente isso pra uma criança com a metade da idade dele. Eu tava simplesmente pasmo, ele nunca esteve tão puto. Ele tava tipo o Goku depois do Freeza matar o Kuririn.
Do nada o satanzinho começou a bater no A3 e falar coisas horríveis sobre ele e a família dele, mas ele não revidou e tentou ignorar.
Eu, um pouquinho estressado: Menino, cala a porra da boca e fica calmo. Pq cê tá tão puto???
Ele começou a falar merda sobre mim de novo, e então eu cansei daquela porra pq eu só queria me divertir com meus amigos
Me: Se tu não quer brincar e quer ficar falando merda, a gnt brinca sem você. Todo mundo tava se divertindo antes de você ter um surto do nada.
Ele começou a chorar e foi pra casa.
A gente começou a brincar de novo, e de repente, da direção da casa dele, a gente viu uma moça bem velha vindo na nossa direção. Ela veio e perguntou o que eu fiz para o nEtInHo dela.
Eu: Desculpa senhora, mas ele tava falando mal da gente e---
Velha: Ele não me disse isso. Ele disse que VOCÊ (ELE BOTOU A PORRA DA CULPA TODA EM MIM) foi rude com ele e tirou ele do jogo sem motivo.
Eu: Ele "foi rude" com todos nós antes, ele chamou a gente de um monte de coisa.
Velha: Você tá mentindo pra mim.
Eu: Não tô não, pode perguntar pro resto aê
Velha: Você TÁ mentindo, meu nEtInHo nunca faria nada desse tipo com ninguém. Ele é educado e não mente pra mim.
A3, puto: Melhor você começar a olhar pro outro lado da história e não só pro que ele fala.
A velha, já virando as costas pra ir pra casa: Não falem mais com ele, vocês são péssimas influências.
E a gente voltou a brincar até a hora de dormir.
Alguém me explica o que faz a pessoa pensar que o neto dela é um aNjO?¿¿?
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2020.06.08 06:54 nrmacs EU FUI A BABACA?

Oi Luba, editores, e chat. Bem, minha história começa no meu primeiro ano de faculdade. Demorei uns 3 anos pra conseguir entrar na pública, então quando entrei, eu era a segunda mais velha da minha classe, tinha 21 anos, enquanto todos os outros tinham 17/18 anos. Essa pouca diferença de idade fazia alguma diferença nos assuntos e interesses que tínhamos em comum. Além disso, a grande maioria tinha situação financeira muito superior à minha. Eles já tinham viajado a vários lugares e falavam mais de um idioma, e eu nunca saí do Rio de Janeiro e falava inglês mais ou menos. Enfim, isso me dificultou fazer uma amizade sólida. Nisso, lá pro meio do primeiro semestre, uma menina da minha sala veio me contar que tinha uma garota do turno da noite interessada em mim. Queria saber se eu beijava garotas. Sim, eu fico com meninas, mas não estava muito interessada nela, eu estava muito deprê e na minha.
Enfim, essa menina(vamos chamá-la de Luci) começou a aparecer onde eu estava, começava a ficar bem nervosa quando chegava perto de mim. Achei isso tudo fofo, até que num grupinho conversamos pessoalmente e trocamos contato. Ficamos uma semana conversando no whats, e ela era SUPER simpática comigo. Além disso, ela tinha a minha idade! Me senti menos deslocada. Ela me tratava super bem, achei que tinha encontrado uma amizade sincera. Era só isso que eu via, amizade. Nisso, ela me chama pra sair, e eu tinha um aniversário de um amigo na Lapa, então a convidei para ir. Encontramo-nos no bar onde seria o aniversário, somente para descobrir que lá não tinha ninguém, além de uns tiozões bebendo cerveja e jogando sinuca. Olhei o grupo do whats do aniversário do meu amigo e percebi que EU TINHA ERRADO O DIA DO ROLÊ. Era no dia seguinte. Luba, senti uma vergonha, fiquei sem chão. Mas a Luci, não se importou nem um pouco. Me chamou para ir num outro bar que ela gostava, e fomos. Chegando lá, conversamos bastante, sobre nossas vidas, sobre as pessoas da faculdade, até contei pra ela de um menino que eu tinha certo interesse. Eu tava confiando muito na nossa amizade. Ela até me convidou para me deixar em casa de uber depois do role, e ofereceu pagar todo o valor. Até que chega um momento em que ela me perguntou se tinha algum problema ela me beijar ali. Gelei, olhei em volta e vi que tava cheio de gente velha, casal hétero, pq era uma segunda feira e não tem gnt da nossa idade na Lapa. Fiquei com muita vergonha e disse que "achava que sim". Mesmo assim, ela me puxou pelo pescoço, fazendo cara de que beijo, e eu não deixei, falei" nnao nao nao nao nao desculpa". Ela então me solta e muda a sua expressão. Comecei a me desculpar dizendo que nao estava me sentindo bem no momento, e fomos conversando de outras coisas. Nisso ela fumou um maço de cigarro inteiro. Na hora de ir embora, ela disse que ia chamar o uber pra ela e perguntou qual ônibus eu ia pegar pra minha casa. Fiquei sem entender, e perguntei se ela nao ia mais me levar, e ela disse que desviava muito da rota dela. Disse que tava td bem, ela até ficou esperando comigo o onibus chegar. Fui embora, e dps ate perguntei se ela queria ir no aniv do meu amigo no dia seguinte, ela disse que nao queria, mas tentei continuar nossas conversas legais, e de repente ela estava super estranha e seca comigo.
Nos dias seguintes, na faculdade, eu passava por ela, dava oi, dava bom dia, e ela simplesmente começou a me ignorar. Falei com ela no whatsapp, pedi desculpa por qualquer motivo que fosse, ela aceitou, mas mesmo assim ela tava me ignorando nos corredores. Enfim, em algum momento eu parei de falar com ela. Passam-se uns meses, e estou conversando com um conhecido na facul, e chegamos num assunto de relacionamento, ate que eu conto o que aconteceu comigo e com Lu, que fiquei super chateada, mas sem mencionar o nome dela. Nisso, ele diz que sabia de quem eu tava falando. Fiquei chocada, e ele disse que sabia quem era porque ela mesmo tinha contado pra ele. Pior, ela contou pra uma galera o que aconteceu. Estava falando mal de mim pelas costas, falando que eu era muito tapada que errei o dia do rolê, e que perguntei se ela podia me levar em casa de graça no uber, e tava contando por aí do menino que eu gostava. Fiquei MUITO chateada ainda mais porque eram meias verdades, coisas íntimas, e eu tinha mt vergonha de ter errado o dia do rolê do meu amigo. Descobri que ela contou isso pra menina que estava pegando o garoto que eu gostava, o que me deu mais vergonha ainda. A partir desse dia vi quem ela era de verdade, e fiquei bem chateada mesmo. Pensei q tinhamos uma amizade, mas ela só queria me pegar, e depois ficou falando mal de mim pelas costas.
Luba e turma, eu fui a babaca por ter saído com ela mesmo sabendo que ela tinha interesse romântico em mim, sendo que eu nao tinha a intenção de ficar com ela? Ou ela foi a babaca comigo por ter me exposto para uma galera da faculdade, porque ficou com raiva de mim?
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2020.05.23 05:04 altovaliriano Os Fantoches de Gelo e Fogo (Parte 2)

Texto em inglês: https://asoiaf.westeros.org/index.php?/topic/134726-the-puppets-of-ice-and-fire/
Autor: KingMonkey
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Dunk teve a sensação mais estranha, como se já tivesse vivido tudo aquilo antes.
(O Cavaleiro Misterioso)
Há mais ecos. Quantos? Eu não sei. Às vezes os ecos parecem bastante claros, em outros momentos são bem mais fracos. Alguns deles podem ser relevantes, outros podem ser simplesmente ressonâncias do grande evento filtrando o momento e deixando sua marca em eventos menores. Alguns desses ecos podem ser produto do reconhecimento de padrões em minha mente, agora que estou tão preparado para procurá-los. Não estou certo sobre todos eles. Entretanto, eu ficaria muito surpreso se nenhum deles fosse intencional. Quase certamente há ecos que ainda não notei. Antes que comece a cavar a procura, vou explorar mais alguns que eu já vi.

O Cavaleiro Andante

Em O Cavaleiro Andante, temos outro baio puro-sangue, montado por Aerion. Ali estão outros três guardas-reais, com suas capas brancas e mais imagens fantasmagóricas: "Na extremidade norte do campo, uma coluna de cavaleiros veio trotando da névoa do rio. Os três membros da Guarda Real vinham primeiro, como fantasmas em suas cintilantes armaduras de esmalte branco, com longos mantos brancos esvoaçando pelas costas.. "
Dunk vê uma estrela cadente e a torna parte de seu brasão, uma reminiscência do brasão da estrela cadente de Arthur Dayne, e nos é dada uma descrição interessante de seu escudo: "A estrela cadente era uma pincelada de tinta brilhante através do céu de carvalho", semelhante a " Uma tempestade de pétalas de rosa soprou através de um céu riscado de sangue”.
Os três (embora não estejam sozinhos) lutam contra sete, e a causa da luta é um cavaleiro que não renuncia a seus votos, custe o que custar. O número três surge novamente no número de mortos no julgamento de 7 contra 7. É um pouco forçado, eu admito, mas talvez possamos entender o fato de que todos os homens que lutam ao lado da Guarda Real são membros da mesma família, portanto, pelo menos em termos de casas com um único representante, pode ser visto como sete. contra três.
No final, o escudeiro Egg de Dunk é revelado como um dragão secreto, e Duncan fala sobre ir para as montanhas vermelhas de Dorne.

A Espada Juramentada

Eu só passei o olho em A Espada Juramentada, mas também vi alguns elementos conhecidos lá. Há uma torre, parcialmente arruinada há muito tempo. Há uma senhora que é extraordinariamente marcial. Há um confronto em que três enfrentam trinta e três, mas há sete cavaleiros entre os trinta e três. Um truque padrão do GRRM, ele não nos mostra esse número diretamente - “Mais cavaleiros vieram na seuqência, meia dúzia deles”, mas já tínhamos um cavaleiro [Sor Lucas]. Dunk sonha em cavar túmulos perto das montanhas vermelhas de Dorne, e embora o número de túmulos seja onze, o número realmente mencionado é oito: “Tem mais covas para cavar, pateta. Oito para eles, uma para mim, uma para o velho Sor Inútil e a última para seu garoto careca”. Há outra cavalo baio puro-sangue, que Lady Rohanne tenta oferecer a Duncan.

O Cavaleiro Misterioso

Como em O Cavaleiro Andante, essa história gira em torno de um sonho. No primeiro, o sonhador é Daeron, no segundo é Daemon II. Ambos são sonhos de dragão. O primeiro vê a morte de um dragão, oo último vê o nascimento de um. Daemon, apelidado de John, o Violinista. Também sonhou com Duncan, em uma capa branca. Um sonho que se realizou, haja vista que Duncan acabaria se tornando o lorde comandante da Guarda Real. "Sonhei com isso. Com esse castelo pálido, você, um dragão irrompendo de um ovo" Pode ser que o sonho fosse, na verdade, sobre Solarestival, mas Daemon acreditava que era sobre Alvasparedes, que ele descreve como parecendo ser "feito de neve" (Um gigante em um castelo de neve?) Ou branco como a casca de um ovo, talvez. Um bom castelo para despertar dragões da pedra.
Dunk entra nas listas de Alvasparedes com um escudo sem seu brasão normal. Sua estrela cadente não está nessa história, mas há outro cavaleiro da estrela cadente: Sor Glendon Flowers, que afirma ser filho de Sor Quentyn "Bola de Fogo" Ball.
Os combates acontecem de manhã e não de tarde, mas ainda há vermelho no céu: " Em algum lugar a leste, um raio irrompeu pelo céu rosa-claro". Alguns parágrafos antes, temos " Relâmpagos reluziam azuis e brancos...". Mais uma vez, algo azul no céu vermelho.
Sor Maynard Plumm (aparentemente um agente de Corvo de Sangue, se não o próprio Corvo de Sangue disfarçado) tenta convencer Dunk a fugir com Egg. Dunk é o futuro Lorde Comandante da Guarda Real, e ele responde à sugestão de fugir com um herdeiro de Targaryen da mesma maneira que Sor Gerold Hightower respondeu na Torre da Alegria: de que ele é obrigado pela honra a não fugir .
Quando Corvo de Sangue chega para terminar a rebelião antes de começar, temos "Um exército aparecera do lado de fora do castelo, saindo das brumas da manhã [...] liderados por três cavaleiros da Guarda Real". Mais imagens oníricas na névoa e três guarda reais novamente. O exército é acompanhado por Danelle Lothstan, outra mulher com tendências marciais, e mais uma vez vemos o morcego de Harrenhal que Whent carregava.
Não há pira, mas os homens de Corvo de Sangue queimam o estandarte Blackfyre de Daemon, que estranhamente "queimou por muito tempo, mandando para o ar uma nuvem de fumaçaretorcida que podia ser vista a quilômetros dali".
Corvo de Sangue fala sobre Alvasparedes, que ele pretende "colocá-la abaixo pedra por pedra", assim como Ned fez com a Torre da Alegria.
Os eventos terminam com o nascimento simbólico de um dragão, ou assim Corvo de Sangue nos diz: " Daemon sonhou que um dragão nasceria em Alvasparedes, e aí está. O tolo só errou a cor".

A Queda de Winterfell

Estou bastante icerto sobre este caso em A Fúria dos Reis, capítulo 66, mas há alguns pontos que me fazem querer inclui-lo entre os possíveis ecos.
Há uma discussão fora dos muros antes da luta, e uma jovem donzela mantida refém do lado de dentro (Beth Cassel). Ficamos com a frase " Os seus dezessete podiam matar três, quatro, cinco vezes esse número de homens ", que tem um eco fraco de sete contra três, e quando Ramsay intervém, ele deixa cair o corpo de três líderes, Rodrick Cassel, Leobald Tallheart e Cley. Cerwin, nos portões. Ramsay é encontrado por três no castelo também, Theon, Lorren Negro e Meistre Luwin. Theon diz: "Não fugirei", como os guardas reais, que não fogem. A cena se passa à noite, quando "o sol estava baixo, a oeste, pintando os campos e as casas com um clarão vermelho" e há um detalhe estranho " Os corvos chegaram na penumbra azul" - uma cor estranha para detalhes soltos, reflexos de " Uma tempestade de pétalas de rosa soprou através de um céu riscado de sangue". A coluna de homens de Ramsey apareceu " saída da fumaça". Mais iconografia de fumaça/sombra. Temos até outro Cassel morrendo. Esses ecos são duros para a Casa Cassel.
A cena termina com a destruição de Winterfell, assim como a tenda foi queimada ou a Torre da Alegria foi demolida. O cavalo de Theon está pegando fogo, " saindo aos coices dos estábulos que ardiam, com a crina em chamas, relinchando, empinando-se… ", o que é semelhante à visão de Dany na pira funerária de " Viu um cavalo, um grande garanhão cinzento retratado na fumaça, com uma auréola de chama azul no lugar da crina".
Isso pode ajudar a explicar um mistério no próximo capítulo de Bran, ACoK capítulo 69. " A fumaça e as cinzas enevoavam seus olhos, e no céu viu uma grande serpente alada cujo rugido era um rio de chamas. Descobriu os dentes, mas a serpente desapareceu". Essa frase intrigou muitos leitores e deu origem a muita especulação. Se a queda de Winterfell ecoou os eventos na tenda, que levaram ao nascimento de dragões, podemos especular que o que Verão viu foi um eco mágico do nascimento de um dragão também. Um pouco antes, em A Fúria dos Reis capítulo 28, Meistre Luwin disse a Bran que " Talvez a magia um dia tenha sido uma força poderosa no mundo, mas já não o é. O pouco que resta não é mais do que o fiapo de fumaça que permanece no ar depois de um grande incêndio se extinguir, e até isso está se desvanecendo".

Os Sete de Bran

Um que também é muito incerto, mas com uma frase interessante. Hodor, Coldhands, Jojen, Meera, Bran, Summer e Leaf lutam contra as criaturas do lado de fora da caverna do Corvo de Três Olhos em Dança dos Dragões, capítulo 13. Esses são os sete, embora eles lutem contra mais de três. Alguns dos inimigos têm mantos. Há sombras e névoa pálida. "Seus olhos brilhavam como claras estrelas azuis" lembram " azul como os olhos da morte". Não temos muita coisa, mas há o seguinte: "Verão rosnava e mordia, enquanto dançava ao redor da mais próxima, uma grande ruína de homem envolta em um turbilhão de chamas.”

A Torre dos Crabb

As jornadas de Brienne of Tarth pelas Terras Fluviais em uma missão para resgatar uma donzela Stark tem paralelos da busca de Eddard Stark para resgatar uma donzela Stark. Em Festim dos Corvos, capítulo 20, Brienne tem um confronto em uma torre há muito caída, Os Murmúrios.
Nos Murmúrios, Brienne luta contra Pyg, Shagwell e Timeon. Esses três podem ser vistos como uma versão distorcida e barata dos três guardas reais na Torre da Alegria. Pyg é um animal menos majestoso que o "velho touro", Sor Gerold Hightower. Timeon é um dornês, como Sor Arthur Dayne, mas é o oposto da natureza cavalheiresca de Dayne. Shagwell é um bobo da corte psicótico sempre fazendo piadas sombrias, enquanto a única coisa que sabemos sobre Sor Oswell Whent é que ele era conhecido por "seu humor negro".
Assim como ocorreu na Torre da Alegria, há uma discussão antes da luta, mas, embora a Guarda Real tenha deixado claro que não iria fugir pelo mar estreito, é exatamente isso que os três malditos saltimbancos estão tentando fazer.
Brienne só tem dois homens consigo quando defronta os três, Podrick e Lesto Dick. No entanto, este é outro sete oculto. Sor Creighton Longbough, Sor Illifer, o Sem-Vintém, Sor Shadrich de Vale Sombrio e Sor Hyle Hunt também eram seus companheiros, mas ela os deixou para trás.
Brienne partiu em sua jornada com um escudo com o brasão dos Lothston, o mesmo morcego de Harrenhal que estava no elmo e brasão de Whent na Torre da Alegria. No entanto, no momento em que ela chega à torre há muito caída, ela provindenciou que seu escudo fosse repintado com o brasão de Duncan, o Alto, que incluia uma estrela cadente como a de Dayne. Ela é indicada a um pintor perto de uma taverna chamada Sete Espadas, batizada em virtude de sete guarda reais.

O ritual do gelo?

Considerando-se o foco em mantos e guardas reais, certamente devemos esperar que haja uma cena com três capas pretas em algum lugar. Talvez com três capas pretas em vez de brancas poderíamos esperar uma inversão: um ritual de gelo em vez de um ritual de fogo.
Existe a possibilidade de termos visto isso logo no início. De volta ao prólogo da A Guerra dos Tronos, vimos três mantos pretos em uma patrulha. Aqui, somos informados de que "nada queima como o frio". Sor Waymar Royce diz "não haverá fogo", as mesmas palavras repetidas momentos depois por Gared. Poderia ser essa a inversão, do ritual de gelo, que estamos procurando?
" O céu sem nuvens tomou um profundo tom de púrpura, a cor de uma velha mancha escura" poderia ser o equivalente gelado da iconografia de sangue/céu que vimos em outras passagens. Temos as oito mortes nos oito Selvagens mortos que os patrulheiros encontram. Temos imagens sombrias: " Sombras pálidas que deslizavam pela floresta. Virou a cabeça, viu de relance uma sombra branca na escuridão." Estranhamente, só consegui contar seis Outros, não sete - a menos que Royce conte para os dois times, depois de morto. “Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo” parece combinar com "azul como os olhos da morte". Sobre a espada de Dayne, Alvorada, nos contam que " A lâmina era pálida como vidro leitoso, viva de luz". Da mesma forma, o líder Outros aqui tem uma "espada pálida", "viva de luar". [...]
“Uma vez e outra, as espadas encontraram-se”, mas depois que o Outro tira sangue, “O golpe do Outro foi quase displicente” e a espada de Royce se despedaça. Quando Royce cai, os Outros se juntam "como que em resposta a um sinal". Poderia ser outro ritual de sacrifício de sangue que fortalece as lâminas dos Outros?
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Arquimeistre Rigney escreveu um dia que a história é uma roda, pois a natureza do homem é fundamentalmente imutável. O que aconteceu antes irá forçosamente voltar a acontecer, ele disse.
(AFFC, A Filha da lula Gigante) [...]

Observações e especulações

Eu disse no começo que isso é mais observação do que teoria. Tenho muitas idéias que derivam desse conjunto de observações, mas nenhuma teoria firme para extrair de tudo isso. Portanto, não apresentarei uma conclusão para este ensaio, mas sim algumas observações e especulações adicionais que, espero, inflamarão as suas. Apresento tudo isso na esperança de que alguns de vocês possam entender mais do que eu tenho entendido até agora. Espero que desencadeie algumas discussões realmente boas.
1- Muitos desses eventos dizem respeito ao nascimento de dragões. Vaufreixo viu Egg revelado como um dragão, enquanto Alvasparedes era sobre um dragão nascido da pedra. Verão viu a imagem de um dragão saindo das chamas de Winterfell. Cersei perguntou sobre as crianças meio dragão que ela teria com Rhaegar. O filho meio dragão de Dany acabou por ser literalmente meio dragão e, quando ela terminou o ritual, seus três ovos eclodiram em dragões mais literais. Acho que isso nos dá uma boa razão para suspeitar que um meio-dragão também nasceu na Torre da Alegria.
2- Há um forte rastro de sangue mágico percorrendo esses ecos. Cersei tem que se desfazer de um pouco de seu sangue, os homens de Jaime são obrigados a matar os de Ned para enviar uma mensagem, Lewin rasteja para a árvore coração para morrer, repetindo acidentalmente a antiga tradição de sacrifício de sangue em um represeiro que Bran testemunha em suas visões. O mais óbvio para o sacrifício de sangue é, claro, o ritual na tenda. Eu me pergunto se isso não realiza a ideia do sacrifício de “dois reis para acordar o dragão”. A princípio, pode parecer que Rhaego morrendo antes de Drogo contradiz “O pai primeiro e depois o filho, para que ambos os reis morram”, mas se o espírito de Rhaego entrou no corpo de Drogo, então, sem dúvida, ambos estão vivendo como rei na hora da morte. Uma alternativa poderia ser que isso é como a questão dos dragões e do gênero, um caso de interpretação incorreta. Ninguém realmente precisa ser coroado rei para ter sangue do rei, então talvez qualquer pai e filho da realeza satisfaça.
Com isso em mente, pode ser que a Torre da Alegria represente uma versão interrompida do mesmo ritual. Rhaegar morreu no Tridente e seu corpo foi queimado. Para completar o ritual então, devemos esperar ver seu filho queimado também. Há uma boa razão para pensar que isso está prestes a acontecer, com Melissandre queimando o corpo de Jon na Muralha. Haverá outra eclosão quando o ritual iniciado na Torre da Alegria for concluído? “Mate o menino...”
3- Há um maegi na tenda de Cersei, bem como havia na de Drogo. Há um meistre na queima de Winterfell e na Fortaleza de Maegor. Também pode haver uma figura semelhante em Alvasparedes. Isso é completamente especulativo, é claro, mas há uma tropa de anões que aparentemente são agentes de Corvo de Sangue que roubam o ovo do dragão. Um desses anões poderia ter sido o Fantasma do Coração Alto? Howland Reed, com seu treinamento de vidente verde, pode ter desempenhado um papel semelhante na Torre da Alegria. Outra possibilidade intrigante é que o Fantasma pode ter sido trazido para a Torre da Alegria das Terras Fluviais com Lyanna. Quando Arya encontra o Fantasma no Coração Alto, o Fantasma já sabe quem ela é, mas reage com consternação ao vê-la de perto. Talvez seja porque a aparência de Arya lembrava a de Lyanna? Isso poderia responder perfeitamente à pergunta de quem estava cuidando de Lyanna e quem eram “eles” que encontraram Ned com Lyanna, quando apenas Howland havia sobrevivido.
4- Solarestival pode ter sido outro desses eventos. Temos muito poucos detalhes, mas sabemos que pelo menos um guarda real estava lá, Duncan, o Alto, que parece estar envolvido nesses ecos de alguma forma. Após a morte de Duncan em Solarestival, o comando da Guarda Real passou para Sor Gerold Hightower, descrito em O Mundo de Gelo e Fogo como o novo jovem comandante. É razoável especular que Dunk não foi a única fatalidade da guarda real ali, ou podemos esperar que uma guarda real mais velho ocupasse o lugar de Dunk. Será que haviam três lá? Havia sete ovos, talvez como os sete que enfrentavam os três. Temos um presente de bruxa da floresta e um castelo queimado até o chão. Da canção de Jenny, temos “
No alto dos salões dos reis que partiram, Jenny dançava com os seus fantasmas...“. O que pode trazer à mente as sombras dançando na tenda. Temos a morte de um rei e o nascimento de um dragão, Rhaegar. Podemos especular que Duncan, o Alto, o pobre Dunk, o Pateta, apesar de ter vivido mais desses ecos do que qualquer um, atrapalhou os dragões de eclodirem ao resgatar Rhaegar.
O que sabemos sobre Solarestival é que a intenção de Jaehaerys era cumprir uma profecia sobre a criação de dragões, e isso por si só se encaixa no simbolismo que temos aqui. Sabemos que Rhaegar tinha motivos para acreditar que ele era o príncipe nascido em meio a sal e fumaça por causa de Solarestival, então ele achou importante. Obviamente, isso é algo altamente especulativo, mas se descobrirmos que havia três guardas reais em Solarestival, reservo-me no direito de dizer “eu avisei”!
5- A idéia de Targaryens bebendo fogovivo para se tornar dragões sempre pareceu plenamente louca. Talvez eles soubessem mais do que nós, e estavam tentando se tornar o homem em chamas, que cavalga no cavalo de fogo?
6- Me pergunto se o garanhão vermelho é um símbolo do cavalo-em-chamas. Dizem-nos que os dothraki acreditam que as estrelas são cavalos de fogo. É interessante considerar que um dragão também é um cavalo de fogo. Pode ser que em algum sistema totêmico, o advento dos cavaleiros de dragão Targaryen significasse que o dragão veio substituir o cavalo de fogo.
7- Há muito simbolismo animal envolvido, frequentemente repetido em vários desses eventos. Gostaria de saber se isso representa algum panteão antigo de divindades animistas: O Urso, o Javali, o Veado, o Lobo, o Morcego, o Touro, o cavalo em chamas / homem em chamas (cavalo e cavaleiro em chamas?
8- O aviso de GRRM sobre o sonho febril na Torre da Alegria, de que não devemos interpretar muito literalmente, é interessante, pois pode refletir o GRRM nos alertando que o que vimos não é a realidade mundana que vimos em outros momentos.
9- A semelhança entre o seqüestro do irmão de Jaime e o seqüestro da irmã de Ned pode ser motivo para pensar que Lyanna foi sequestrada na Estalagem da Encruzilhada. Isso criaria uma simetria interessante de eventos, já que o Vau Rubi, onde Rhaegar morreu, está ali próximo.
10- Existem sobreposições e diferenças, mas podemos começar a considerar uma lista de sinais que parecem ser compartilhados por vários exemplos diferentes:
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2020.03.09 02:32 altovaliriano Jon Snow (Parte 1)

Jon Snow (Parte 1)
Sabendo que eu não conseguirei escrever o texto sobre Jon Snow para o "Domingo de Personagens" de hoje, resolvi compartilhar um texto que eu já havia escrito há algum tempo em meu blog.
Por outro lado, como eu estarei longe nos próximos dois domingos, muito provavelmente a Parte 2 sobre Jon Snow vai ficar para o dia 29/03.
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Paralelos e presságios: Aegon V e Jon Snow

Este artigo foi elaborado com base no excelente texto Hidden Dragons: Parallels between Aegon V and Jon Snow de autoria da usuária dornishdame, do fórum do site Westeros.org.
Tudo aqui pressupõe que Jon Snow é filho de Rhaegar e Lyanna.
(Legendas: GRRM = o autor, George R. R. Martin; DC = Depois da Conquista de Aegon)
Egg (Aegon V) e Jon Snow são trisavô e trineto e nunca se conheceram, pois Egg morreu em Solarestival em 259 DC enquanto o pai de Jon (Rhaegar) nascia. Ocorre, porém, que suas histórias são tão semelhantes que poderiam ser contadas em paralelo.
Dessa forma, analisarei a seguir essas semelhanças e demonstrarei que por meio delas somos capazes de confabular sobre o futuro dos contos de Dunk & Egg. E já que GRRM mencionou que ainda podem vir até mais nove histórias dessas, um pouco de reflexão premonitória pode vir a calhar.
1. Criação e juventude
Aegon era o quarto filho de Maekar I, que por sua vez também era o quarto filho do Rei Daeron II, e passou sua infância em palácios reais como um improvável herdeiro ao trono, enquanto que Jon foi criado em Winterfell como filho bastardo de Eddard, fazendo parte de sua família apenas informalmente, sem nenhuma perspectiva de entrar legalmente para a linha hereditária dos Stark.
Contudo, ainda que por razões distintas, a ambos a ocultação da identidade é um tema comum – com a pequena diferença de que Aegon V, ao contrário de Jon, sabia quem era desde que nasceu e havia vivido de acordo com sua posição social a maior parte da vida (uma questão que, no que se refere a Jon, ainda permanece em aberto).
Aegon se disfarça de Egg, um simples escudeiro de um reles cavaleiro andante, para poder viajar incógnito por Westeros e poder amadurecer em contato com pessoas comuns que o tratam como se ele fosse apenas um deles. O amadurecimento de Jon também acontece em razão das pessoas não o enxergarem como alguém de importância, mas ele, ao contrário de Aegon, é absolutamente ignorante de suas origens. E a farsa de seu parentesco não só o condiciona a encarar Eddard como seu modelo parental (ao invés de Rhaegar), como também afeta as expectativas que os outros têm dele, em razão de ser um descendente de Ned.
De todo modo, tanto Egg quanto Jon cresceram sabendo que eram figuras pouco importantes nas cortes que habitavam, e talvez em razão de disso sejam ambos marcadamente observadores. Deveras, logo em seu primeiro capítulo em “A Guerra dos Tronos”, Jon demonstra habilidade para decodificar as cortesias vazias de Eddard e Cersei e vaticina “um bastardo tinha de aprender a reparar nas coisas, a ler a verdade que as pessoas escondiam por trás dos olhos“. Egg, por sua vez, rapidamente percebe que há algo errado no Torneio de Alvasparedes em “O Cavaleiro Misterioso” e desvenda antes de Sor Duncan que o evento é apenas um palco para uma rebelião Blackfyre.
No entanto, essa natureza observadora com costume cede à miopia inerente à juventude. Por essa razão que há um paralelo entre a afirmação de Egg no sentido de que preferiria ser um cavaleiro da Guarda Real do que se casar com uma garota com a também irrefletida afirmação de Jon de que não se arrependeria de não ter tido uma mulher antes de entrar para a Patrulha da Noite.
Ainda assim, nenhum dos dois é imune às próprias aspirações e são impulsionados pelo desejo de crescer em importância, apesar de que não sem uma boa dose de esnobismo. De fato, Egg repetidamente sugere a Dunk para usarem a “bota” (onde se esconde o anel com o brasão de seu pai) e deixarem que o nome de sua família facilite seu caminho, assim como Jon acha que os laços familiares com Benjen serão sua porta de entrada para as patrulhas de seu tio logo que chega a Castelo Negro.

Brasão de armas pessoal de Maekar. A \"bota\" de Egg.
O sentimento de superioridade e prerrogativa, decorrente da crença de que seu sangue deveria ser suficiente para conseguir o que querem, é um reflexo comum a Egg e Jon quando se trata do primeiro contato com pessoas que não desfrutaram das mesmas vantagens que eles.
De fato, a princípio Aegon fica horrorizado quando é requisitado a servir os aprendizes em “A Espada Juramentada”, e Jon inicialmente se acha melhor do que os recrutas com quem ele treina em “A Guerra dos Tronos”. Porém, lá estavam Sor Duncan, o Alto, e Donal Noye, respectivamente, para lhes relembrar das vantagens advindas da criação de um membro da nobreza. Felizmente, tanto Egg quanto Jon são rápidos em absorver essa lição: Aegon fala da troca de conhecimento com os plebeus, e Jon faz as pazes com seus novos irmãos, oferecendo-se para ajudá-los a treinar.
2. Em posição de comando
Meistre Aemon, o único Targaryen que conheceu bem os dois homem, sem mesmo saber que Jon era parente dele e de Aegon, os conectou por meio de um conselho: “mate o menino e deixe o homem nascer”. Aemon deu este conselho a ambos antes de deixá-los (primeiro de Vilavelha para a Muralha, depois da Muralha para Vilavelha). e sabemos que ao menos Jon foi marcado por ele.
O modo como Aegon e Jon são alçados ao poder também os une. Aegon foi aclamado rei em um Grande Conselho e Jon foi eleito Lorde Comandante por seus irmãos juramentados. Eles foram escolhidos para a liderança, mesmo diante da existência de outros candidatos mais velhos. Isso não quer dizer que nenhum dos homens possuísse habilidades de liderança (claramente não possuíam), mas simplesmente que o papel que assumiram não era aquele que a princípio acreditavam que assumiriam.
Com efeito, enquanto que a possibilidade de Egg assumir o trono somente surgiu diante da recusa de seu irmão mais velho, Aemon, tudo que Jon tencionava em “A Guerra dos Tronos” ao se juntar à Patrulha da Noite era se tornar um patrulheiro. A ideia de chegar a Lorde Comandante nunca ocorreu a Jon até Sam sugerir que essa seria a razão pela qual Jeor Mormont o escolheu para ser seu intendente.
Como governantes, nenhum dos dois favoreceu a hipocrisia, pois ambos sabiam que não deveriam esperar daqueles por quem eram responsáveis algo que nem mesmo eles conseguiram fazer. Assim, por ter se casado por amor, Aegon permitiu que seus filhos seguissem seus corações e rompessem os compromissos que ele havia arranjado, sem renegá-los por isso (salvo a remoção do Príncipe das Libélulas da ordem de sucessão).
Por outro lado, por não ter mantido seu voto de celibato, Jon reconhece em “A Dança dos Dragões” que não poderá exigir o mesmo de seus irmãos juramentados e entrevê o perigo que a Torre de Hardin (onde as esposas de lança selvagens estão estabelecidas) representa em Castelo Negro.
Assim, ambos podem ser considerados líderes conscientes das fraquezas humanas, próprias e alheias, especialmente no que diz respeito à família, haja vista que Jon comete atos impensados na tentativa de resgatar a garota que ele acredita ser Arya, e que Aegon, apesar de ter punido um dos filhos, não tentou desfazer seu relacionamento ou o exilou da Corte.
O reinado político de Aegon foi caracterizado por reformas que favoreciam os comuns ao invés dos grandes senhores de Westeros, razão pela qual esses atos foram objeto de controvérsia e resultaram na perda de apoio do Rei, o que, no fim, lhe impediu de implementar as verdadeiras mudanças que tanto desejava.
Da mesma forma, o mandato de Jon Snow como Lorde Comandante da Patrulha da Noite está repleto de conflitos conforme ele tenta instituir políticas controversas que acabam dividindo a organização que ele lidera. Suas decisões de permitir que os selvagens passem pela Muralha e de nomear Couros para Mestre de Armas são recebidas com horror por parte da classe de oficiais.
Um paralelo também pode ser feito aqui. Jon e Aegon foram educados em ambientes de contraposição aos interesses dos Selvagens e Plebeus, respectivamente. E, no entanto, o tempo em que Aegon passou como escudeiro para um Cavaleiro Andante e o tempo de Jon como agente disfarçado nas terras além da Muralha, serviram para que ambos respeitassem e valorizassem esses grupos e passassem a vê-los como pessoas que merecem proteção. E esse respeito é escarnecidos e usado contra eles, pois, mais de uma vez, Aegon é dito “meio camponês” e Jon “meio selvagem”.
Mesmo em situações de maior apelo humanitário, em que suas ações são baseadas na lógica fria, a crítica não cessa. Aegon é criticado quando, durante um longo e duro inverno, envia suprimentos vitais para o norte a fim de ajudar os plebeus daquela região a sobreviver. Jon tem que lidar com o ressentimento dos irmãos da Patrulha da Noite por cada pedaço de comida que ele manda entregar aos selvagens, especialmente por parte de Bowen Marsh.
Porém, essas experiências de inserção na realidade do outro são tão transformadoras para Egg e Jon que fazem florescer neles a tendência de avaliar as pessoas por seus méritos e não por nascimento. De fato, isso leva Aegon a ascender um simples cavaleiro andante a Lorde Comandante da Guarda Real (Sor Duncan, o Alto) e Jon escolhe assistentes com base em sua habilidade e potencial, e não em seu nascimento (Gigante e Cetim).
E essa deferência coloca Aegon e Jon sob o fogo de seus adversários políticos, ainda mais quando ambos os homens demonstram tanto inabilidade para lidar com eles quanto tendência a deixar velhas queixas se acumularem às novas. Por exemplo, Jon não levou Chett em conta quando designou Sam para a posição de intendente do Meistre Aemon; bem como ignorou a erosão da boa vontade de seus homens conforme dirigia políticas em benefício dos Selvagens. Os senhores de Westeros tentaram convencer Aemon a renunciar seus votos como meistre para não permitir que Aegon assumisse como Rei, mas Aegon não fez nada para aplacar tais homens quando subiu ao trono.
3. Presságios
Existem, portanto, paralelos claros entre Aegon V Targaryen e Jon Snow em termos de tema, personalidade e caráter, apesar de que não sabemos que papel essas semelhanças irão desempenhar na trama. Dornishdame pondera que eles poderiam ser apenas mais uma indicação da herança paterna de Jon, ou chegar ao ponto de prenunciar seu reinado como um rei muito improvável.
Contudo, enquanto que todos os paralelos analisados versam sobre fatos que acompanhamos em primeira mão nos capítulos de Jon, os eventos ocorridos com Egg são, em sua maioria, retirados de relatos históricos, e não provenientes dos contos de Dunk e Egg.
Com isso quero afirmar que os paralelos analisados provavelmente pouco nos ajudarão a entender o futuro da história de Jon em “Os Ventos do Inverno” ou “Um Sonho de Primavera”. Porém, talvez sejam bastante úteis para entender o que aconteceu durante o reinado de Aegon V e, especialmente, o que levou à tragédia em Solarestival.
Com efeito, são os problemas causados por suas reformas e pelos noivados rompidos que levam Aegon a ponderar que as coisas seriam diferentes se tivesse Dragões. Essas reflexões acabariam contribuindo para a tragédia de Solarestival, na qual Aegon tentava fazer eclodir dragões dos ovos de pedra que a família Targaryen ainda possuía.
Jon Snow foi morto por quebrar novamente seus votos, estar se isolando em Castelo Negro e por se envolver no sequestro da nora do novo Protetor do Norte (o qual é uma importante fonte de apoio para a Patrulha da Noite). Jon, portanto, esvaziou-se de aliados ao sul da Muralha e deu azo ao surgimento de um motim.
Este comportamento espelha tanto aquele adotado por Aegon V em decorrência de suas reformas e das decisões conjugais de seus filhos que parece haver aqui outro paralelo: de que a tragédia de Solarestival não foi um acidente, mas fruto de uma conspiração.
Os príncipes e princesas reais estavam prometidos a Tully (Celia), Baratheon (desconhecida), Tyrrel (Luthor) e Redwyne (Olenna) e ainda que os Baratheons tenham ficado com Rhaelle, isso só ocorreu depois de uma curta rebelião da Casa, que terminou com a morte de Lorde Lyonel (autoproclamado Rei da Tempestade durante a Rebelião) pelas mãos de Sor Duncan, em um julgamento por combate.
Dessa forma, podemos imaginar que todos esses eventos devem ter lançado as sementes para que fosse criada uma aliança informal entre diversas das maiores Casas de Westeros, que culminou no plano para se livrar de Aegon e seus parentes com apenas um golpe.
Mas para saber mais sobre isso teremos que, como GRRM gosta de dizer, “continuar lendo” (keep reading, em inglês).
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2020.01.03 03:22 altovaliriano Os ancestrais de Dunk

Em um post anterior, já havia tratado dos descendentes de Dunk e como a notícia de que poderia haver quatro deles mexe com o imaginário do fandom (inclusive, há aquele excelente artigo de Felipe Bini no portal Gelo & Fogo).
Contudo, a partir de A Espada Juramentada começa a ficar claro que não é somente a família futura de Dunk que desconhecemos. Em determinada altura, Egg está fazendo um discurso contra Daemon Blackfyre e Corvo de Sangue, dizendo que todos os bastardos são mal-nascidos e farinha do mesmo saco, quando Dunk o interpela:
– Egg – ele falou –, já pensou que eu posso ser um bastardo?
– Você, sor? – Aquilo pegou o menino de surpresa. – Você não é.
– Posso ser. Nunca conheci minha mãe, ou soube o que foi feito dela. Talvez eu tenha nascido grande demais e a matado. Mais provável que ela fosse alguma puta ou garota de taverna. Não se encontram senhoras bem-nascidas na Baixada das Pulgas. E se ela chegou a se casar com meu pai... bem, o que aconteceu com ele? – Dunk não gostava de lembrar de sua vida antes de Sor Arlan o ter encontrado. – Havia uma casa de pasto em Porto Real onde eu costumava vender ratos, gatos e pombos para o guisado. O cozinheiro sempre afirmou que meu pai era algum ladrão ou larápio. “É provável que eu o tenha visto enforcado”, ele costumava me dizer, “mas talvez só o tenham mandado para a Muralha.” Quando era escudeiro de Sor Arlan, eu perguntava para ele se não podíamos ir naquele caminho algum dia, para pegar serviço em Winterfell ou em algum outro castelo nortenho. Eu tinha essa ideia de que, se conseguisse chegar à Muralha, talvez encontrasse algum velho, um homem realmente alto que se parecesse comigo. No entanto, nunca fomos. Sor Arlan dizia que não havia sebes no norte e que todas as florestas eram cheias de lobos. – Ele negou com a cabeça. Resumindo, é provável que você seja escudeiro de um bastardo.
Pela primeira vez, Egg não tinha nada a dizer. [...]
(A Espada Juramentada)
É interessante que Martin tenha usado um longo parágrafo para que Dunk apresentasse algo sobre seu passado, quando a maior explicação que deu em “O Cavaleiro Andante” se limitava a uma linha:
Um cavaleiro andante não pode desafiar um príncipe. Valarr é o segundo na linha de sucessão ao Trono de Ferro. É filho de Baelor Quebra-Lança, e seu sangue é o sangue de Aegon, o Conquistador, e do Jovem Dragão e do Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão, e eu sou um garoto que o velho encontrou atrás de uma loja de vasos na Baixada das Pulgas.
Sua cabeça doía só de pensar naquilo.
(O Cavaleiro Andante)
Aqui a tradução brasileira deixou os leitores na mão. A “loja de pasto” de A Espada Juramentada e a “loja de vasos” de O Cavaleiro Andante são a mesma loja. No original em inglês, a expressão é ‘pot shop’ que se traduz corretamente como casa de pasto (uma mistura de taverna com restaurante).
De todo modo, o que merece destaque é que GRRM parece estar caminhando a passos lentos (porém largos) em direção ao passado de Dunk. Reparem como A Espada Juramentada termina com um diálogo em que Egg sugere que eles não vão atrás de seu pai (Maekar), mas atrás do pai de Dunk (usando a palavra ‘alta’ para fazer jogo de palavras):
– Solarestival é para o sul. Seu pai.
– A Muralha é para o norte.
Dunk olhou para ele.
– É um longo caminho a percorrer.
– Tenho um cavalo novo, sor.
– É verdade. – Dunk teve que sorrir. – E por que quer ver a Muralha?
– Bem – Egg respondeu. – Ouvi dizer que é alta.
(A Espada Juramentada)
Por outro lado, após a parada nas Terras Fluviais durante a terceira novela (O Cavaleiro Misterioso), GRRM tinha a intenção de prosseguir a história com um novo conto possivelmente ambientado no Norte, cujo título de trabalho era “She-Wolves of Winterfell”. Deste modo, fica parecendo que a procura do pai de Dunk acabou por se tornar uma sidequest.
Entretanto, isso não resolve a pergunta: quem seriam os pais de Dunk?
Eu duvido que a origem do cavaleiro envolva sangue valiriano. Falar isso pode parecer óbvio, mas é necessário que descartemos essa opção logo, pois nosso fandom tem o péssimo costume de ver Targaryens Secretos em todos os personagens (mesmo aqueles cuja ancestralidade é patente).
Por outro lado, ainda que Dunk seja fruto de um relacionamento extraconjugal de algum nobre, é extremamente improvável que qualquer evidência disto passe a fazer parte da história de Dunk & Egg de forma significativa. Em outras palavras, possivelmente seria uma revelação vazia.
Ainda assim, uma questão permanece. Uma vez que a estatura de Dunk é um diferenciador e não parece ser fruto de problemas com a glândula pituitária (como é o caso de Sor Gregor Clegane), então algum dos pais de Dunk deveria ter uma altura notável, não?
Na verdade, não. Eu mesmo tenho quase a mesma altura que Dunk e ambos os meus pais são bem menores do que eu. Na verdade, até meus tios e avôs não tem uma estatura de destaque. Contudo, há pessoas grandes em minha família a partir da minha geração.
Se descontarmos a modificação que a dieta moderna causou na população humana, esta observação sobre meus irmãos, primos e sobrinhos pode indicar um caminho interessante. Ao invés de esperarmos encontrar um homem ou mulher grande e lhes atribuir a paternidade ou maternidade de Dunk, seria mais coerente que Dunk encontre algum irmão.
Um homem ou mulher de grande estatura e idade próxima, que se assemelhe a Dunk, seria uma caracterização de parentesco mais verossímil do que seus pais. Inclusive, seria possível que a pessoa tivesse conhecido um dos genitores de Dunk e nós só ficássemos sabendo sobre eles via informações de segunda mão (algo que GRRM adora).
Por outro lado, independentemente do tipo de parente que Dunk venha a encontra nesta busca, nada garante que a recepção será amistosa.
Pode ser que o alto cavaleiro consiga verdadeiramente encontrar uma parte de sua família biológica, mas essa pode não ter nenhum ponto em comum com os valores que Dunk aprendeu enquanto crescia.
Isso poderia gerar um conflito interno interessante, já que Dunk poderia vir a perceber o quanto ele prefere a figura de Sor Arlan como ancestral.

Vocês acham que Dunk encontrará pistas de sua ancestralidade em livros futuros? Ou mesmo que encontrará alguém de sua família?
Caso acreditem, que tipo de pessoa pensam que eles são? Como pensam que seria este tipo de encontro?
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2019.04.20 23:39 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 1)

Infelizmente, eu já vi que o sub de escritores brazucas não é lá muito populoso. Eu não sei se um dia alguém vai chegar a ler a introdução da minha narrativa, mas se você está aqui, lendo a minha nota pré-texto, eu peço humildemente o seu feedback. No meu círculo social, rigorosamente NINGUÉM tem tempo e paciência para ler tudo e me dizer o que achou - e eu entendo perfeitamente kkkkkk. E, se me permite um segundo pedido: se for me dar um toque, seja na gramática, seja na minha forma de decorrer a história, faça críticas construtivas, por favor.
E sobre a introdução: se um dia a minha história porventura se tornar um livro - e eu não faço nenhuma questão que isso aconteça - ele se iniciaria após todos os fatos que eu vou narrar abaixo - e estes fatos iriam se revelando no decorrer dos capítulos. Essa introdução tem o único e exclusivo objetivo de dar um entendimento melhor ao leitor atual - você! - sobre o "universo Steel Hearts": contexto histórico da trama, histórico das personagens, eventos que moldam a narrativa e afins. Em um eventual livro, essa introdução seria inexistente e ele se iniciaria no prólogo - o qual eu já escrevi e vou postar aqui também, ainda hoje ou amanhã. E até o momento atual, o prólogo é onde a minha história está empacada :{
Enfim, sem mais delongas: boa leitura! :)
[EDIT: Eu vou ter que dividir a introdução em duas partes, para conseguir postar - eu não sabia que o Reddit tinha um limite de caracteres. Eu vou postar a Parte 1 agora e a Parte 2 eu posto em alguns minutos, logo na sequência.]
Cronologicamente, a trama se inicia em 1412.
Dois jovens oficiais do Reino da Catalunha se perdem no interior de uma floresta de mata densa em uma patrulha rotineira e descobrem uma reserva imensa de ferro, cobre e bronze no interior de uma caverna - esta, batizada de Madriguera de Sán José. Todos estes citados, minérios primordiais para a construção de equipamentos de combate e, no auge da Idade Média, eram de extremo valor. Após apurações mais profundas, foi descoberto que a reserva era muito maior do que se imaginava e se estendia por todo um território, conhecido como Península de Acqualuza. Naturalmente, os olhos de toda a Europa Medieval se voltaram para as terras de Acqualuza, que era território da Catalunha - região onde atualmente se localiza a Espanha - por direito, comandada desde 1383 pelo rei Carlos Villar. O que antes era só mais um pedaço de terra passou a ser visto por Carlos Villar como um trunfo para instalar o seu reinado como a maior potência militar e econômica da Europa e, por tabela, do mundo.
Entretanto, alguns anos mais tarde, o rei da Catalunha foi assassinado por sua própria filha primogênita, Alice Azcabaz Villar, movida pela ganância e pelo poder. Após assumir o trono em 1414, Alice, sem nenhuma experiência como governanta em seus 19 anos recém-formados e se vendo incapaz de colocar ordem em um reino inteiro sozinha, firmou uma aliança com a família Winchestter, uma tradicional linhagem nobre da Inglaterra, que se instalou na Península de Acqualuza e passou a governar a mesma.
É importante ressaltar que Acqualuza não se resumia apenas a ferro, cobre e bronze. Existia um povo vivendo naquela região. Uma civilização. Pessoas que se instalaram naquele lugar por gerações, muito antes de descobrirem que a península, na verdade, era uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro". Os Winchestter foram protagonistas de um governo totalmente corrupto, que durou dois anos. Exportaram minérios, espadas, lanças, escudos, armaduras e afins da mais alta qualidade para os quatro cantos da Europa e enriqueceram de uma maneira rápida e efetiva. Mas, em contrapartida, o povo de Acqualuza vivia na miséria, na pior crise socioeconômica de sua história. A verdade é que a família Winchestter, juntamente de Alice Azcabaz, visavam somente os seus interesses pessoais. Enquanto a fortuna pessoal dos Winchestter decolava, a Península de Acqualuza entrava em rota de colisão, mergulhada na pobreza extrema. Os cidadãos acqualuzenses viravam quarteirões e quarteirões em filas intermináveis para a distribuição gratuita de pães velhos e mofados, para que não simplesmente morressem de fome. E por mais que a educação, saúde, segurança e desenvolvimento social da região fossem precários, o povo parecia anestesiado. Como se estivesse tão fraco e oprimido que sequer conseguisse levantar a voz para questionar os seus governantes.
Era nítido que o governo acqualuzense era instável, o que chamou a atenção dos ingleses. Talvez a maior potência econômica e militar da Europa no momento, a Inglaterra, conduzida por seu renomado exército imperial e pelo jovem e controverso rei Sabino III, estudava maneiras de depor o governo dos Winchestter e tomar as ricas terras de Acqualuza para si - o que soava como justo para os ingleses, afinal, os atuais governantes do território acqualuzense eram dos seus. A carta na manga dos ingleses era o povo de Acqualuza e as condições desumanas nas quais estes viviam. A estratégia, inicialmente, era enviar soldados ingleses travestidos de cidadãos acqualuzenses para o território dominado pelos Winchestter e forçar uma revolta contra o governo vigente. Os forasteiros organizaram tumultos, passeatas e até fizeram ameaças aos nobres, em uma tentativa de fazer o próprio povo fazer o trabalho sujo de derrubar os monarcas do poder por eles, evitando um ataque direto e um consequente e nefasto atrito entre Inglaterra e Catalunha, com quem mantinham uma cordial relação diplomática. Os cidadãos da península até esboçaram uma reação com os primeiros protestos, mas logo adormeceram novamente. Vendo o comodismo que o governo imoral da família Winchestter instalou nas terras de Acqualuza, Sabino III optou por uma solução mais radical: a criação da CAJA.
A CAJA nada mais era do que uma organização secreta, patrocinada pelo governo da Inglaterra e composta por militares do mais alto escalão do Exército Nobre Inglês e por assassinos de aluguel de elite. O objetivo? A princípio era, durante uma noite, impedir que os postes de lamparinas a óleo vegetal fossem acesos na Península de Acqualuza. E assim, na escuridão total, um pelotão seria responsável por invadir, saquear e depredar o castelo dos Winchestter e outro grupo realizaria a maior chacina já vista na Europa Medieval: estes invadiriam casas de cidadãos comuns e matariam a sangue frio qualquer ser vivo que encontrassem pela frente. E, como cereja do bolo, deixariam os corpos ensanguentados expostos nas ruas de Acqualuza para que todos os sobreviventes se deparassem com a tragédia ao nascer do sol. Um mar de sangue inocente que os ingleses julgavam como necessário: com a carnificina, a Inglaterra esperava que o traumático choque de realidade mostrasse ao povo acqualuzense de uma vez por todas que os Winchestter eram incapazes de proteger, tanto os cidadãos, quanto a eles próprios, e enfim compreender todas as consequências da péssima administração dos nobres ingleses em suas terras. A matança tinha data e hora para acontecer: 10 de Novembro de 1415, a partir das 18h30.
E neste contexto, somos apresentados a Constantin Saravåj Mandragora - ou simplesmente Saravåj. Nascido na Iugoslávia, na região dos Bálcãs e a 1200 km de Londres, era filho de uma família de camponeses extremamente pobre e sem perspectiva nenhuma de ter uma qualidade de vida minimamente digna. Todavia, desde os primórdios de sua vida, era uma criança criativa, inteligente e escandalosamente diferente das demais. Assim como seus pais e toda a Europa Medieval, acompanhava pelos jornais o drama do povo de Acqualuza, que ganhou notoriedade internacional. Lendo jornais de origem britânica, Saravåj aprendeu o inglês por conta própria. E foi por intermédio desses folhetos estrangeiros que o menino ficou sabendo da existência de Dúbravska. Um sábio monge acqualuzense que se isolou da civilização em meados de 1360 e passou a viver sozinho em cordilheiras, em um estado infinito de meditação. Era considerado pelos cidadãos de Acqualuza como o mais próximo de Deus que tinha-se na Terra - havia quem dissesse que ele tinha contato direto com o Todo-Poderoso. Quando ficou nítido que não existia nenhum panorama de melhora para o povo acqualuzense da situação de calamidade em que se encontravam, os mais importantes homens da Península de Acqualuza começaram a procurar por Dúbravska, na esperança de que este tivesse a fórmula perfeita para contornar todo sofrimento de seu povo. Quando contatado por meros cidadãos comuns, o monge afirmou que a Península de Acqualuza tinha um período de guerras incessantes pela frente, onde a paz seria impossível e seus governantes seriam seus maiores inimigos. E profetizou que, após o período de trevas, somente uma criança de coração puro e livre de maldade seria capaz de liderar um reinando que enfim devolveria a paz para Acqualuza. Algumas horas mais tarde, no pôr-do-sol, Dúbravska entregou sua alma para Deus e realizou a sua assunção aos céus, e nunca mais foi avisado por ninguém. Quando terminou a sua leitura, Saravåj sentiu um arrepio que correu todo o seu corpo e não teve dúvidas: era ele próprio a criança da profecia.
Alguns anos mais tarde, inconformado com a sua situação e de sua família e revoltado com a forma com a qual os nobres engoliam as classes inferiores, Saravåj foi para a Inglaterra incentivado por sua mãe em busca de mais oportunidades assim que se tornou um homem adulto, em uma árdua caminhada, onde cruzou a Europa em 25 dias até chegar em Cherbourg-Octeville, na Gália, de onde seguiu de balsa para a Inglaterra. Na terra da rainha, pela primeira vez na vida a sorte sorriu para ele - e em dose dupla: o garoto de até então 18 anos entrou e cresceu rapidamente no exército inglês e também apaixonou-se reciprocamente por Camilly Shaw, sem um pingo de dúvidas, uma das mulheres mais atraentes de todo o Reino da Inglaterra: o seu cabelo lembrava os radiantes raios solares, de tão loiro. Também era dona de claros olhos azuis cor-de-mar. A garota era membro e a natural herdeira de uma respeitada família de militares de elite. Pela primeira - e única - vez, Saravåj descobriu o amor. Saravåj filiou-se como peão ao Exército Nobre Inglês em 1413 e à CAJA em 1415. Sua mãe, em uma das cartas que mandava da Iugoslávia semanalmente para Saravåj, foi totalmente contra a ideia de saber que o seu próprio filho derramou o sangue de pessoas inculpadas e encorajou Saravåj a trilhar os seus caminhos longe do militarismo. Sugeriu que mudasse o seu foco para ler livros e adquirir conhecimento, como era o sonho dela. Saravåj sabia que era utopia. Prometeu para sua progenitora que seria a primeira e última vez. O garoto iugoslavo, idealizando o seu futuro com Camilly acima de qualquer coisa, tinha medo da ameaça que os Winchestter poderiam vir a se tornar um dia, sem conhecer o maquiavélico plano do governo inglês de usar a tirania dos Winchestter como justificativa para aumentar as suas riquezas com as terras de Acqualuza.
No dia 10 de Novembro daquele mesmo ano, Saravåj invadiu de surpresa na calada da noite o imenso castelo da família Winchestter, junto de colegas de esquadrão e de assassinos profissionais em uma noite que deveria ser de comemoração para os monarcas, com as suas típicas e corriqueiras festas regadas à música clássica e todo tipo de bebida alcoólica. No saldo final, o garoto, que sempre se destacou com espadas em punhos, assassinou Diógenes Dionisi, o próprio patriarca da família Winchestter. Foram incontáveis as baixas de membros dos Winchestter naquela madrugada. Do outro lado da moeda, o morticínio foi um sucesso: o nascer do sol foi acompanhado pelo choro de homens e mulheres abraçados com os ensanguentados corpos sem vida de seus entes queridos. O vermelho-sangue banhava todas as ruas de Acqualuza, em um cenário tão surreal que sequer parecia realidade. Esta noite ficou marcada por toda eternidade na história como "O Domingo Sangrento".
Com a morte de diversos membros da família Winchestter e com a desestabilização total dos mesmos, o povo de Acqualuza, enfim, despertou. Passeatas violentas que levavam como slogan a frase "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!" eram diárias na Península de Acqualuza. Zoey Deschamps, a viúva de Diógenes Dionisi, assumiu o mandato de seu ex-marido juntamente de Alice Azcabaz, em uma diarquia frágil e que sofria forte desaprovação do povo, em um período de seis meses que ficou conhecido como "Caveirão". A gota d'água foi o suicídio da rainha Alice Azcabaz, a própria pioneira da tomada de Acqualuza, que se enforcou após não suportar a pressão e as ameaças que vinham de seus próprios compatriotas. Com a morte de Alice, Zoey abdicou do trono, fazendo com que a Península de Acqualuza caísse em anarquia total.
Sem o exercício nenhum tipo de governo nas desejadas terras acqualuzenses, a Inglaterra tinha o cenário perfeito bem à sua frente. Contudo, optou por agir com cautela. Sabino III, sabendo que o povo de Acqualuza ficaria acuado e com um pé atrás após a péssima experiência com um governo gringo - e inglês - em suas terras, enviou seus mais competentes diplomatas para a Península de Acqualuza, na intenção de negociar a almejada anexação das terras de ferro, cobre e bronze com os representantes do povo acqualuzense, em um consenso bilateral, que fosse benéfico para ambos os lados, e pouco a pouco, foi colocando os seus oficiais dentro de Acqualuza, na esperança de criar raízes inglesas na península. Na teoria, a Península de Acqualuza se tornaria parte e dependente do Reino da Inglaterra em troca de estabilidade governamental. O povo sabia que eles precisavam de um rei e que a anarquia só iria levá-los ao fundo do fundo do poço. Não haviam muitas saídas que não fosse aceitar o acordo proposto por Sabino III.
Entretanto, havia uma maçã podre neste cesto que atendia por nome e sobrenome: Matiza Perrier. Um prepotente e irreverente gênio nato, inglês descendente de iugoslavos, membro do Exército Nobre da Inglaterra e que participou do saqueamento do castelo da família Winchestter ao lado de Constantin Saravåj no 10 de Novembro. Porém, paralelamente aos seus serviços prestados ao Reino da Inglaterra, Matiza liderava uma organização de interesses sombrios conhecida como Pasárgada. Os pasargadanos tinham um objetivo em comum com os imperiais ingleses: tomar as ricas terras da Península de Acqualuza para si. Mas utilizavam meios diferentes - e mais inteligentes - para isto. A Pasárgada era o grande ventríloquo por trás de cada atitude do reino inglês. Era quem mexia as peças no tabuleiro: manipulou o governo da Inglaterra para que este manipulasse os cidadãos acqualuzenses para que estes derrubassem os Winchestter do poder. No fim das contas, quem se beneficiaria da ausência de um rei na península e sentaria no trono seria Matiza Perrier - e ele tinha meios indefectíveis para isto. Tanto que, subitamente, como um raio que cai sem nenhum aviso prévio, as negociações entre a Inglaterra e o povo de Acqualuza pararam. Quando os nobres, oficiais e diplomatas ingleses se deram conta e olharam para o alto, só puderam assistir estáticos e de camarote a coroação de Matiza Perrier como rei de Acqualuza, que a partir daquele momento passou a ser um reino independente dos catalães, nomeado de "Pasárgada". Zoey Deschamps - agora noiva de Matiza Perrier - arquitetou por trás das cortinas as condições necessárias para que a Pasárgada atravessasse as negociações entre a Inglaterra e o povo acqualuzense e tomasse a península para si. Os cidadãos acreditaram com toda inocência do mundo que um governo novo e, acima de tudo, não-inglês, era o ideal para eles naquele momento.
Quando a notícia de que uma desconhecida oposição havia vencido a disputa pelo trono chegou aos ouvidos de Sabino III, ele ordeu a retirada imediata de todas as suas tropas das terras de Acqualuza. Muitos conseguiram fugir para regiões vizinhas - entre estes, Constantin Såravaj - mas muitos mais jamais puderam voltar para suas casas. No dia 10 de Julho de 1416, a Pasárgada assumiu oficialmente a Península de Acqualuza e o agora rei Matiza fez o seu primeiro discurso ao seu povo. O comandante da Pasárgada proferiu palavras bonitas e se mostrou um defensor ferrenho dos direitos humanos e da inclusão social das classes menos favorecidas, ganhando como recompensa uma salva de palmas ensurdecedora do povo e a simpatia dos mesmos. Mas contradisse-se quando ordenou que seus oficiais, de modo acaçapado, executassem sem dó nem piedade todo homem que tivesse um brasão inglês no peito nos limites de seu território. Saravåj assistiu imóvel muitos companheiros sendo brutalmente esquartejados durante o tumulto, mas foi bem-sucedido em sua fuga. Se instalou, assim como a grande maioria dos ingleses sobreviventes, na pequena vila camponesa de Balistres, pertencente ao Reino da Gália (onde atualmente se localiza a França) e que fazia fronteira direta com a Península de Acqualuza.
Em Balistres, Constantin Saravåj enfim pôde encontrar-se com sua amada após sua fracassada e última missão militar. Após uma longa conversa, Camilly convenceu Saravåj a deixar o Exército Nobre da Inglaterra e se instalar na vila de terras férteis de Balistres juntamente a ela. Muitos ex-oficiais ingleses seguiram o mesmo caminho e colocaram o seu uniforme imperial na gaveta para se dedicar a uma vida pacata em Balistres. Entretanto, o nobre guerreiro iugoslavo ainda se preocupava muito com o que acontecia em Acqualuza. Em seus pensamentos, sentia muito pelo povo daquele lugar. A Pasárgada era uma ameaça muito maior do que os Winchestter. Tanto para a Europa Medieval quanto aos seus próprios cidadãos. Seria uma mentira dizer que a qualidade de vida do povo da península não melhorou muito com o governo da Pasárgada. Mas a corrupção continuava - a diferença é que, desta vez, acontecia de uma maneira inteligente. O grande coringa de Matiza Perrier era o próprio governo anterior à Pasárgada: os pasargadanos não erradicaram a corrupção. Apenas a diminuíram. Ainda assim, muitos recursos que deveriam ser destinados ao povo acqualuzense eram usados visando somente os interesses pessoais de Matiza Perrier e de seus aliados mais próximos. Em uma comparação inevitável com o governo descaradamente ilícito dos Winchestter, a impressão era a de que Matiza estava tirando leite de pedra e levantando a Península de Acqualuza da lama. A astuta ideia era, além de roubar, alienar o povo. Sem instrução econômica, os acqualuzenses idolatravam Matiza, que aumentava a sua popularidade com seus periódicos discursos infestados de falso moralismo. No balanço geral, uma minoria do povo enriqueceu e a grande maioria apenas se tornou menos pobre. Uma sociedade cada vez mais segregada entre ricos e plebeus. Tudo ocorria da forma mais perfeita possível para que Matiza Perrier enfim começasse a colocar as suas peças no campo adversário para dar início a um temível império pasargadano.
Saravåj, um dos pivôs da agora extinta CAJA, até queria fazer algo para que o povo de Acqualuza abrisse os seus olhos mais uma vez. Mas era totalmente desencorajado por Camilly. A garota queria que Saravåj se concentrasse na vida a dois. Camilly afirmou que para ela, pouco importava passar os seus próximos setenta anos como mera camponesa. Que não reclamaria se comesse cenoura, couve e batata todos os dias. A única coisa que realmente importava era estar ao lado de Saravåj. Juntos, vivos e seguros. Os seus futuros filhos poderiam viver uma infância alegre, brincando no campo e longe das guerras e de toda crueldade do mundo, realidade rara na Era das Trevas da Idade Medieval. A imagem de uma família perfeita e unida, mesmo que ainda somente na imaginação e muito longe de ser concretizada, era linda. Sendo assim, tanto Sabino III quanto Constantin Saravåj desistiram das terras da Península de Acqualuza, reconhecendo finalmente, que agora estas mesmas eram de domínio da Pasárgada. A paz reinou em Balistres durante alguns meses. Saravåj e Camilly residiram felizes naquela vila e fizeram inúmeros planos para os próximos anos. As colheitas foram um sucesso. A segurança, estruturada por antigos e competentes soldados do escalão de elite do exército da Inglaterra, era impecável. As crianças tinham acesso à educação de qualidade, tanto militar quanto acadêmica. Após muito esforço de seus residentes, Balistres via em seu horizonte uma década próspera e abundante.
Até que, durante um pôr-do-sol, a Pasárgada, faminta por ampliar os seus domínios, invadiu o vilarejo gaulês. Constantin Saravåj e seus companheiros bem que tentaram defender as suas terras com unhas e dentes, mas em vasta desvantagem numérica, foram facilmente reprimidos. Por mais uma vez, a Pasárgada patrocinou um massacre. Muitas pessoas, leigos e militares, foram mortas. A maioria delas, jovens que partiram deste plano sem concretizar os seus sonhos. Nesse ínterim do ataque do reino de Matiza Perrier ao vilarejo de Balistres, Camilly Shaw feriu-se com gravidade. Após ter uma lança atravessada em seu peito, a garota começou a perder muito sangue. Os remanescentes que restaram da investida pasargadana transcorreram para a metrópole de Nice, uma das maiores cidades da Gália e uma das pouquíssimas que contavam com assistência médica especializada. Novamente, a Pasárgada venceu e incorporou a terra de Balistres aos seus territórios.
Em Nice, Camilly foi uma das primeiras a receber atendimento dos paramédicos. Após uma rápida e sucinta análise, o iátrico afirmou a Saravåj que a hemorragia de sua dulcinéia era um quadro clínico irreversível para a medicina da época. Camilly Shaw deveria ter, na melhor das hipóteses, algumas horas de vida. E como se não bastasse, o médico ainda constatou que a garota estava grávida há algumas semanas e teria o infeliz destino cruel de falecer juntamente de seu bebê. Foram as palavras mais duras que já entraram pelos ouvidos de Saravåj. O garoto sentiu que estavam arrancando-lhe brutalmente a parte mais importante de sua essência. Camilly era motivo pelo qual Constantin Saravåj realizou atrocidades pela CAJA. Pelo qual desistiu da carreira militar. E, acima de qualquer outra coisa, a garota era o motivo pelo qual Saravåj estava disposto a matar e a morrer, se fosse necessário. Durante a caminhada até Nice, Camilly fez com que Saravåj prometesse que, independentemente do que viesse a acontecer dali em diante, ele não iria derramar uma lágrima sequer. Nem por ela, nem por ninguém. Mas o garoto iugoslavo foi incapaz de cumprir a sua promessa quando soube que iria perder a mulher da sua vida e seu primeiro filho de uma só vez. "Se Camilly morrer, por que ou por quem eu tanto matei?", pensava Saravåj, entre lágrimas e soluços. Matrimônio. Sonhos. Planos. Tudo virou pó de um instante para o outro. Em pouco tempo, o garoto estaria sozinho no mundo. Soava injusto, mas já não havia tempo para prantos. Durante a trágica notícia, inúmeros mensageiros da Gália chegaram aos berros em Nice, gritando pelas ruas de maneira histérica para quem quisesse ouvir que a Pasárgada estava invadindo a Gália de modo feroz. As tropas da grande metrópole gaulesa precisavam se organizar para um provável combate e os cidadãos daquela localidade eram jogados à deriva, sendo obrigados a se refugiar como pudessem.
Por mais uma vez, os sobreviventes do morticínio de Balistres teriam que fugir de seus algozes. Até a metade do caminho, Saravåj levou Camilly em seus braços, com a estúpida esperança de que Deus, se de fato se fizesse existente, oniconsciente, bondoso, justo e misericordioso, operasse um famigerado milagre. Até que, nos arredores de Paris, tornou-se inviável continuar carregando uma mulher que havia recebido uma sentença de morte. A consciência de Camilly estava por um fio. Os braços de Saravåj já há muito eram humanamente incapazes de continuar carregando um corpo tão pesado. Os retirantes precisavam se apressar, afinal, eles não sabiam o quão rapidamente a Pasárgada estava avançando. Não havia mais como adiar a despedida.
O garoto, afastando-se do grupo de Balistres, encostou Camilly em uma grande figueira. O casal, na escuridão da noite, era iluminado somente pela luz da lua cheia. A garota, em um último e doce ato, colocou nas mãos de Saravåj um colar dourado, que continha um pequeno pingente em formato de coração. E feito isso, fechou os olhos. Aos poucos, a sua respiração pesada cessou. E, por fim, o seu coração deu a sua última batida - um último "eu te amo" à Constantin Saravåj. Após a morte de Camilly Shaw, que sequer teve a oportunidade de ter um velório digno, os que restaram do vilarejo de Balistres continuaram a sua jornada durante toda madrugada. E só pararam quando alcançaram a cidade de Baden-Wüttenberg no nascer do sol, já no território da Germânia (nos dias de hoje, a Alemanha). Em solo germânico, todos os ex-soldados do Exército Nobre Inglês, entre eles, um abalado Constantin Saravåj, fizeram uma última continência à bandeira da Inglaterra, se despediram e trilharam seus respectivos caminhos.
"Olha bem, mulher. Eu vou te ser sincero. Eu sabia que ia dar errado. Esse mundo está corrompido e a felicidade aqui não passa de uma utopia. Nós vamos ficar longe um do outro por um tempo, mas ainda vamos nos reencontrar. Eu não posso te prometer, mas eu juro que anseio por isso do fundo da minha alma"
Após este calamitoso ocorrido, Saravåj nunca mais foi o mesmo. Tornou-se uma pessoa amargurada. Cheio de ódio no coração, admitiu para si mesmo que a criança da profecia não passava de um delírio. Também se convenceu de que todo o amor que ele podia dar em vida terrena, ou qualquer sentimento positivo que fosse, foram para o túmulo juntamente de Camilly Shaw. O garoto iugoslavo passou a dedicar a sua vida a tecer um planejamento suficientemente perfeito para derrubar a Pasárgada - e em especial, Matiza Perrier - já que estes haviam tirado tudo o que ele tinha de mais importante. Suas terras. Seu povo. Seu filho. O grande amor de sua vida. Dizimar a Pasárgada. Concretizar a sua vingança. É para isso que Saravåj passou a viver. Afinal, tudo o que era lindo. Tudo o que era bom. Tudo o que era perfeito. A Pasárgada destruiu.
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2019.03.10 04:01 lizziehope Fanfic: Eu x Bolsonaro x Trump x Hitler atrás do Lil Peep

Estava ciente de minhas condições psíquicas quando, de repente, vejo um sinal divino que o Lil Peep me amava. Chorei. Chorando Eu grito: "SAI, NAO SOU LETÍCIA, ODEIO ESSE NOME" crying in drugs language Aí aparece o Lil Peep e diz: "Você não sabe falar inglês?" Aí eu respondo gentilmente: "Nah, sim, Nah" Aí ele: "Para de tentar me enganar, Liz..." APARECE O HITLER PUTO Eu: "Meu Deus, sou nazista" Ele diz: "Eu disse que doía" Eu olho para o céu estrelado, vejo Carl Sagan e Jesus falando: "Tá querendo roubar minha filha" Fico espantada e olho para Hitler: "Sua energia não morreu, safado?" Ele ri e diz "Revive esse filho da puta então" Eu murmuro entre dentes: "Se pudesse" Ele responde com uma risada cínica: "Se pudesse... HAHAHAHAHA" Ele se transforma no Trump. Fico em choque. "Socorro", olho para o lado e vejo o Bolsonaro querendo entrar na party mais louca da minha cabeça. Ele diz: "Sei de nada" e vaza. Fico: "Taok" Ele continua a me perseguir. Descubro que políticos tentam me hackear. Os policiais ficam doidos. Todo mundo fica louco. Vou na praça e fumo um. Fico relax ouço músicas dahora e pá, meus amigos falam: "Aí, cê não fala" Aí eu começo a falar: "Acho que a vida..." Eles começam a me interromper e me tratar mal. Mimimi crying Eles: "Não vou mais falar contigo" Eu: "Taok" Bolsonaro appears: "olha esse direito autoral por voz aí, menininha" Do nada o Lil Peep volta. Estou chorando. Digo: "Preciso de um amigo, ou um romance, você está morto e mesmo assim eu sinto como se sua energia fosse a única a me acalmar" Ele olha para o menino louco dos enigmas e fala: "Are u Crazy?" Aí eu: "Não entendi." Choro de novo. Volto para a casa, vejo vídeos, dou risada, choro ouvindo música. Morro, revivo. Choro. Volto ao Lil Peep, não tem mais músicas novas. Meu melhor amigo nunca me conheceu e nunca vai me conhecer. Vejo ele novamente Grito em meus pensamentos. "Whyyyyyyy? I Just want to dance with u, for real" E ele diz: "Lil crybaby, Im lil crybaby, Im Lil Peep, Im Bart, Im gay" Viro e digo: "Que? Vamos transar" Ele diz, olhando novamente para o mesmo menino: "Taok" Bolsonaro wins. Começo a discursar o quanto ele chupa pinto do Trump, o Bolso, não o Lil Peep Bolsonaro: "Ela é louca, drogada, fui" Choro de novo. Volto a ver vídeos, dessa vez do Felps. Ele diz: "Olha aqui, de novo?" Eu respondo: "Sei lá" Fecho o vídeo, vômito em nojinho language, a fight apenas começou. Vou na live do Cellbit. Minha mãe, ou eu: "Cellbixa" Aí ele: "Nossa, Letícia? Tururu" Eu: "Turu..." Aí ele: "Ela sabe demais chat" Aí eu: "Não sou eu" Aí o chat: "Socorro" Volto a ver o Lil Peep, não vejo mais imagens dele, sonho que talvez em alguma dimensão eu realmente tenha mudado esse futuro. Ele me invade hackeadamente e eu fico: "Celoco, imagina a tecnologia desses cara" Vou tomar banho: Hitler, Bolsonaro, Trump e Carl Sagan começam a discutir o futuro da arma mais poderosa do Brasil, o cérebro. Eu digo: "To pelada?" Eles: "Relaxa, todos tomam banho pelado" Hitler: "Eu não sei português" Eu: "Pai?" Carl Sagan: "Olha pra lá todo mundo, o futuro está sendo discutido aqui" Vejo o futuro, passado e presente se misturando. "Estamos em um buraco negro?" Ele diz: "Você tem medo de escuro?" Eu digo: "Eu devoro almas?" Ele diz: "Você tem medo de escuro." Eu digo: "Desculpe, eu não consigo" Bolsonaro: "Ah, foda-se, golden SHOWER nlablabla e os caralho" Eu e Carl: "Poxa" Viro para Hitler que está putasso; "Ainda acho você, Carl, maldito Indie da vida cósmica" Eu: "NÃO FUJA PARA SEMPRE" Ele: "Quem está fugindo?" Eu fico pasma, olho para Hitler, ouço: "Racista" Faço micro expressao de nojo, fico triste. "Sou racista?" Crying in not white people language Algum negro vizinho: "Você é" Olho cosmológicamente para ele: "Ok" Alguém aparece: "Pedofila, sua família estupra" Tento me matar. Minha família: "Você está nos envergonhando" Cellbit buga e diz: "Simulacra" Volto a pensar em Simulacra, penso em controle tecnológico na porcentagem 'nao controlada' do cérebro. O inconsciente. "Isso é horrível" Ninguém acredita em mim, ganho um Nobel. Hitler: "Isso ao menos faz sentido" Ouço: "Gás" Fico em choque. "O mundo me ouve?" Peep: "Can anybody hear me?" Eu: "Desculpe" Cellbit: "Voce é a Letícia?" Volto a me apaixonar por alguém vivo. Sou feia. Chorei Lembro-me de todo o passado que vasculhei dele, entendo o quanto controlo os pensamentos que me levam a pensar em como ele falaria para mim coisas e não falaria para mim. Desisto de lutar. Me sinto no meio de uma ligação de vela. O chat continua: "ELA NÃO SABE" Penso: "Peep" Alguém fica irritado, alguém me ama? Alguém fica confortável. Alguém me escuta? Volto no tempo e mato Hitler. Volto no tempo e revivo o Lil Peep. Morro por chorar. Peço perdão. "nojenta" Choro de novo. Morro de overdose. Fim.
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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